Controle de imagens pelos EUA irrita governo do Catar

A tentativa dos Estados Unidos de controlar a transmissão de imagens da guerra e de Osama bin Laden pelas redes de televisão está deixado o governo do Catar irritado. O governo norte-americano pediu que as emissoras de televisão do país limitassem as transmissões das declarações do terrorista e chegou a enviar um recado a Doha para que o governo local solicitasse à rede de televisão Al-Jazeera uma redução nas transmissões de declarações do grupo terrorista. Washington argumenta que as declarações poderiam conter mensagens secretas para outros grupos extremistas espalhados pelo mundo. Mas para os diplomatas do Catar, se o motivo da censura é não permitir que pronunciamentos de terroristas sejam veiculados, seria necessário primeiro determinar quem são os terroristas para cada um dos governos. "Nesse caso, teríamos que pedir que as emissoras árabes deixassem de veicular as declarações de Ariel Sharon (primeiro-ministro de Israel)", afirmou um dos principais diplomatas do Catar na Organização das Nações Unidas (ONU). Para muitos intelectuais no mundo árabe, a identificação de Bin Laden como o único terrorista a ser condenado é um erro. Na avaliação de um dos principais escritores egípcios, Gamil Ibrahim, "os países árabes não aceitam o terrorismo, mas Bin Laden e seu grupo são terroristas individuais, enquanto Israel é um Estado terrorista". A rede Al-Jazeera é a única que pode, segundo um acordo com o Taleban, transmitir imagens a partir do território do Afeganistão. A emissora foi a responsável por veicular o vídeo com as declarações de Bin Laden no mesmo dia em que os Estados Unidos iniciaram os ataques ao Afeganistão. Na ocasião, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, havia se queixado do espaço que a emissora destinava ao Taleban. A resposta do governo de Doha foi que sua política era de "liberdade total de imprensa". A gota d´água foi a transmissão do pronunciamento do porta-voz da Al-Qaeda, Suleiman Abou-Gheit, no início da semana, alertando que uma "tempestade de aviões" ocorreria nos Estados Unidos. Leia o especial

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 16h15

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