Conversas com China foram construtivas, diz diplomata

O subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos da Ásia Oriental e Pacífico, James Kelly, disse hoje que seu país e a China ainda têm divergências sobre a construção de um escudo antimísseis, mas as primeiras conversas foram construtivas. Segundo Kelly, as autoridades chinesas concordaram em aprofundar as discussões sobre o tema e também demonstraram interesse em conter a produção de armas de destruição em massa. "Embora nós tenhamos opiniões diferentes, nossas consultas sobre este foram construtivas e são um bom começo", disse Kelly em uma nota divulgada pela embaixada americana na China. Os chineses, entretanto, ainda não demonstraram que estão convencidos com as explicações do diplomata sobre o projeto de defesa americano. A China advertiu ontem que as ambições de Washington de construir um escudo antimísseis podem no fim ter resultados contrários e provocar uma nova corrida armamentista que iria perturbar o equilíbrio mundial. Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês reiterou a oposição da China ao plano e exigiu que Washington o abandone. "Quando você inventa uma nova lança, você naturalmente vai inventar um novo escudo. Quando você inventa um novo escudo, você vai inventar um novo tipo de lança. E assim por diante. Desta forma, todo tipo de novo plano como esse não irá trazer nenhum benefício. Ele irá na verdade ferir os interesses de outros", disse o porta-voz, Sun Yuxi, a repórteres. Sun indicou que a China irá responder caso Washington desenvolva o sistema, mas não adiantou como. A China tinha dito anteriormente que iria fortalecer seu pequeno arsenal nuclear ou tornar seus mísseis mais potentes a fim de suplantar as defesas dos EUA. "A China não vai ficar de braços cruzados vendo seus interesses nacionais serem minados", afirmou Sun. Ontem, Kelly se encontrou com o chefe de controle de armas da China, Sha Zukang, e outros funcionários do Ministério do Exterior chinês. Ele ressaltou os argumentos americanos de que o sistema não seria usado contra a China, mas para que os EUA se defendam contra ataques de países como a Coréia do Norte, considerada uma nação imprevisível pelos americanos. "Nossos planos não ameaçarão a China", disse Kelly. Avião Kelly disse que ambas as partes também conversaram sobre o retorno do avião espião da Marinha americana, que colidiu com um caça chinês em 1º de abril e precisou fazer um pouso forçado na ilha de Hainan. O acidente causou a morte de um piloto chinês e fez com que as 24 pessoas a bordo da aeronave americana ficassem detidas em território chinês por 11 dias. O acidente aumentou as tensões diplomáticas entre os dois países. A China não quer permitir que o avião americano voe para fora de seu território. A aeronave pode ser desmontada e então trasnportada de barco ou avião para poder ser reparada e voltar aos EUA.

Agencia Estado,

16 Maio 2001 | 02h44

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.