Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Coreia do Norte classifica discurso de Trump como 'declaração de guerra'

Segundo editorial do principal jornal do país, presidente americano foi condenado à morte por vários crimes, como 'profanar a dignidade' do regime

O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 20h08

Correções: 16/11/2017 | 08h45

SEUL - A Coreia do Norte qualificou como "declaração de guerra" o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua visita na semana passada a Seul, onde ele acusou as condições de vida dos norte-coreanos. Em editorial do principal jornal do país, "Rodong Sinmun", o líder da Casa Branca foi condenado à morte na Coréia do Norte por vários crimes, como "profanar a dignidade" do regime e "largar toneladas de lixo para pintar de forma muito negra a vida feliz dos habitantes de Coreia."

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"Os comentários imprudentes ditos por Trump durante sua tour não podem ser vistos de maneira diferente que a confirmação de hostilidade da Casa Branca com a RPDC (sigla de República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte), e como uma declaração de guerra", diz o texto. 

O editorial, que qualifica o presidente americano como "depravado" e "velho escravo do dinheiro", assegura que ele "fez o ridículo ao manipular a realidade" e "soltar todo tipo de maldição contra nós" em seu discurso de 22 minutos e 35 segundos na Assembléia Nacional de Seul, no último dia 8.

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 Na ocasião, o presidente americano denunciou as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte e dirigiu-se ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, para dizer-lhe que se seu avô, Kim Il-sung, buscava criar um paraíso "o país acabou se tornando o inferno ".

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Apesar do ataque direto, Pyongyang não respondeu às palavras de Trump até o dia seguinte ao fim de sua tour pela Ásia - além da Coreia do Sul, o republicano esteve no Japão, na China, no Vietnã e nas Filipinas. O artigo do "Rodong Sinmun" afirma que Pyongyang "observou com paciência os atos ridículos de Trump até o final."

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A visita de Trump à Ásia foi marcada por tensões com a Coreia do Norte e o apelo à comunidade internacional para que se na na hora de condenar e pressionar o regime de Pyongyang para que acabe com seu programa nuclear e de mísseis.

As referências do republicano à Coreia do Norte foram constantes e ele, inclusive, chegou a dizer que "nunca chamaria" Kim Jong-un de "gordo e baixinho", sem que a mídia oficial de Pyongyang tivesse contestado até agora.

Após um ano de repetidos testes de mísseis, a Coreia do Norte não lançou um único projétil desde o último 15 de setembro, quando disparou um míssil de médio alcance que voou sobre o Japão/ EFE

Correções
16/11/2017 | 08h45

Uma versão anterior desta reportagem apresentava o significado errado da sigla RPDC. O nome oficial da Coreia do Norte é República Popular Democrática da Coreia.

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