AP Photo/ Wong Maye-E
AP Photo/ Wong Maye-E

Coreia do Norte diz que está pronta para guerra com armas nucleares

Desfiles militares marcam a comemoração do 105º aniversário do fundador do país, Kim Il-sung

O Estado de S.Paulo

15 Abril 2017 | 06h50

PYONGYANG - O vice-presidente do Partido dos Trabalhadores de Coreia do Norte, Choe Ryong-hae, disse neste sábado durante um grande desfile militar em Pyongyang que o povo norte-coreano está “preparado para a guerra” contra os Estados Unidos com suas armas nucleares.

“Estamos completamente preparados para enfrentar qualquer tipo de guerra com nossas armas nucleares se os EUA atacarem a Península da Coreia”, disse Choe, considerado número 2 do regime, em discurso durante a exibição militar que serviu para comemorar o 105.º aniversário do fundador do país, Kim Il-sung, avô do atual líder.

Durante o desfile do “Dia do Sol”, presidido pelo líder Kim Jong-un, o Exército norte-coreano mostrou seu arsenal, incluindo vários mísseis balísticos, entre os quais encontrava-se um novo projétil que poderia ser de alcance intercontinental.

“Se os EUA fizerem provocações imprudentes, nossa força revolucionária contra-atacará num instante com um ataque aniquilador e responderemos a uma guerra total com guerra total e a ataques nucleares com nosso próprio arsenal atômico”, disse Choe.

Ele também acusou os EUA de posicionar armas nucleares no sul da Península Coreana, “o que está criando uma situação muito tensa que ameaça a paz e a segurança não só da região, como também do mundo inteiro”. A China vem pedindo contenção à Coreia do Norte e aos EUA e alertando para o risco de uma guerra. 

 

Washington enviou um porta-aviões nuclear à Península da Coreia em resposta aos lançamentos de mísseis do regime de Pyongyang e Washington e chegou a insinuar que estuda a possibilidade de um ataque preventivo para conter os avanços armamentísticos norte-coreanos.

“Os imperialistas estão tentando isolar nosso povo onde as pessoas só querem viver em paz”, declarou o vice-presidente do Partido dos Trabalhadores. 

Um ataque da Marinha americana contra uma base área síria este mês, com mísseis Tomahawk, despertou questionamentos sobre os planos do presidente dos EUA, Donald Trump, para a Coreia do Norte, que realizou diversos testes balísticos e nucleares em desafio a sanções impostas pela ONU, com ameaças frequentes de destruir os EUA.

A Coreia do Norte mostrou dois tipos de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM, na sigla em inglês) acoplados a lançadores, sobre caminhões, sugerindo que Pyongyang tem trabalhado rumo a um “novo conceito” de ICBM, disse a analista sênior do Instituto Internacional de Estudos Middlebury, em Monterey, Califórnia, Melissa Hanham. “Mas a Coreia do Norte tem o hábito de exibir novos conceitos em desfiles antes mesmo de testá-los ou lançá-los”, disse.

Chad O’Carroll, diretor de serviço especializado NK News, disse à agência France Presse que os foguetes exibidos eram mais largos que os atuais KN-08 e KN-14 e poderiam ser novos mísseis intercontinentais de combustível líquido ou protótipos. 

O país asiático, que já realizou cinco testes nucleares, quer desenvolver um míssil intercontinental capaz de atingir os EUA, o que Trump garantiu que “não vai acontecer”.

Mísseis balísticos Pukkuksong – testados em agosto – para lançamento a partir de submarinos também estiveram no desfile. Foi a primeira vez que a Coreia do Norte mostrou estes armamentos em uma parada. / EFE, AFP e REUTERS

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