AFP PHOTO / KCNA
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Coreia do Norte é o foco em cúpula sobre segurança atômica

Presidente americano se reúne com líderes de China e Coreia do Sul para discutir estratégias de desnuclearização da Península Coreana; encontro que terá sessão plenária hoje em Washington é o quarto de iniciativa proposta por Obama em 2010

Cláudia Trevisan , CORRESPONDENTE / WASHINGTON

01 Abril 2016 | 05h00

A preocupação com a Coreia do Norte e as ambições atômicas de seus líderes marcou as primeiras reuniões no âmbito da Cúpula de Segurança Nuclear em Washington e esteve no centro de encontro do presidente Barack Obama com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e com a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye. 

“A cooperação trilateral de segurança é essencial para manter a paz e a estabilidade no nordeste da Ásia, contendo a ameaça nuclear da Coreia do Norte e o potencial de proliferação nuclear”, declarou Obama em entrevista depois do encontro. 

O assunto também foi abordado em reunião bilateral que ele teve com o presidente da China, Xi Jinping. Em declarações dadas ao lado de Xi antes da reunião, o americano afirmou que ambos tratariam do programa nuclear norte-coreano e de seu impacto desestabilizador para a região. “O presidente Xi e eu estamos comprometidos com a desnuclearização da península coreana e a total implementação das sanções da ONU”, disse Obama, em referência às resoluções das Nações Unidas contra Pyongyang.

Líderes e representantes de 53 países participarão hoje de reunião plenária da cúpula, na qual serão discutidas iniciativas nacionais para aumento da segurança nuclear. O evento será encerrado no fim da tarde com um pronunciamento de Obama. Com a decisão da presidente Dilma Rousseff de cancelar sua participação na cúpula, a delegação brasileira é chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. 

Apelo. No encontro de hoje, Brasil, Argentina e outros 13 países apresentarão uma declaração na qual defendem a eliminação total de armas nucleares como a “única garantia absoluta” contra a ameaça que representam. O documento também defenderá que iniciativas futuras sobre o assunto não se limitem a materiais atômicos utilizados para fins pacíficos e incluam os que são destinados aos programas militares. 

“Os riscos adicionais decorrentes da possibilidade de que atores não estatais tenham acesso a armas nucleares ou a materiais nucleares apenas aumentam a necessidade de acelerar o desarmamento nuclear”, diz o texto da declaração.

Ameaça. A necessidade de eliminação de armas atômicas é reconhecida pelo próprio Obama . O encontro de hoje, no entanto, será desfalcado pela ausência da Rússia, país com maior arsenal nuclear do mundo, que participou das três edições anteriores da cúpula. 

Obama ressaltou que os dois antigos rivais da Guerra Fria continuarão a implementar acordos para reduzir seus arsenais, que em 2018 devem atingir o mais baixo patamar desde os anos 50.

A cúpula atual é a quarta e última de uma série iniciada por Obama em 2010. O objetivo da iniciativa era aumentar o grau de segurança e reduzir a quantidade de material atômico ou radioativo que potencialmente pode ser usado por terroristas. Mas a cúpula é restrita a materiais usados em pesquisas ou em hospitais e exclui os programas militares, onde estão 83% do urânio enriquecido e do plutônio.

Desde a realização da primeira cúpula, houve eliminação ou remoção de produtos nucleares suficientes para a confecção de 150 bombas atômicas. Mas a quantidade que será preservada além do evento pode ser usada na fabricação de 200 mil bombas semelhantes à que atingiu Hiroshima, de acordo com a Global Zero, entidade que defende a eliminação de arsenais nucleares. 

“Ainda há mais de 15 mil armas nucleares no mundo”, escreveu o presidente da Global Zero, Derek Johnson, em artigo publicado no Huffington Post. Johnson criticou o fato de que o encontro se limita a materiais nucleares de uso civil e defendeu a realização de uma cúpula sobre armas, que trate dos arsenais dos países e estabeleça um cronograma para sua eliminação.

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