JUNG Yeon-Je/AFP
JUNG Yeon-Je/AFP

Coreia do Norte lança míssil no litoral japonês e Trump promete resposta

Conselho de Segurança da ONU agendou reunião de emergência para discutir o lançamento; Pentágono afirma que projétil alcançou uma altitude maior que os anteriores, representando uma ameaça

O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 16h43
Atualizado 30 Novembro 2017 | 08h55

SEUL - A Coreia do Norte disparou um novo míssil balístico nesta terça-feira, 28 (manhã de quarta-feira em Pyongyang). Coreia do Sul e EUA confirmaram o lançamento e disseram que o projétil caiu no Mar do Japão, bem perto do litoral. Foi o primeiro teste desde setembro, quando um míssil sobrevoou a ilha japonesa de Hokkaido.

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Segundo o Ministério da Defesa japonês, o projétil caiu na zona econômica exclusiva do Japão – dentro da linha de 200 milhas. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, qualificou o teste de “um ato violento” que “não pode ser tolerado”. A pedido de Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) agendou para a tarde desta quarta-feira uma reunião de emergência para discutir o assunto. O conselho já tinha imposto sanções contra o regime de Kim Jong-un em resposta à escalada dos programas de mísseis nucleares e balísticos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não quis adiantar seus próximos passos. “Vamos cuidar disso”, afirmou. “Temos uma abordagem muito séria e nada mudou.”  Ele conversou com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, para discutir uma resposta ao lançamento do míssil balístico. A Casa Branca disse que ambos os líderes "ressaltaram a grave ameaça que a provocação da Coreia do Norte representa", não apenas para os EUA e a Coreia do Sul, "mas para o mundo inteiro".

Os dois presidentes também "reafirmaram a forte condenação à campanha imprudente da Coreia do Norte para avançar com seus programas nuclear e de mísseis balísticos, observando que essas armas apenas servem para minar a segurança da Coreia do Norte e aprofundar seu isolamento econômico e diplomático".

Moon levantou a preocupação de que o aperfeiçoamento dos mísseis balísticos do Norte pudesse fazer com que os EUA considerassem um ataque preventivo contra o norte para eliminar a ameaça. O presidente sul-coreano ainda pediu ao governo para que avaliasse se o lançamento do míssil afetaria os esforços de seu país para sediar de maneira bem-sucedida as Olimpíadas de Inverno do próximo ano. Com o Japão, os EUA buscam medidas ainda mais fortes contra a Coreia do Norte.

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O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, afirmou que as “opções diplomáticas” para solucionar a disputa nuclear continuam sobre a mesa. Já o secretário de Defesa, James Mattis, alertou que o míssil alcançou uma altitude “maior” do que os anteriores, o que supõe um “perigo para a paz regional e mundial e mesmo para os EUA”. “Nosso compromisso em defender nossos aliados, entre eles Coreia do Sul e Japão, permanece intacto”, disse o chefe do Pentágono em um comunicado. “Estamos preparados para nos defender ou a defender nossos aliados de qualquer ataque ou provocação.”

Esse foi o primeiro míssil que Pyongyang lançou em dois meses e meio, desde o disparo de um projétil de médio alcance que sobrevoou o norte do Japão antes de cair no mar, no dia 15 de setembro. A aceleração do desenvolvimento de mísseis balísticos e do programa nuclear da Coreia do Norte fez a comunidade internacional apertar ainda mais as restrições contra o país. 

Pyongyang testou ogivas capazes de atingir parte do território americano. O país também conseguiu desenvolver a tecnologia para miniaturizar armas nucleares em mísseis

Além das sanções no âmbito da ONU, Estados Unidos e China têm negociado para ampliar a pressão diplomática sobre Pyongyang. Ao todo, foram sete rodadas de sanções que afetaram a importação de petróleo, o setor de turismo e as remessas de moeda forte enviadas por trabalhadores norte-coreanos que vivem no exterior.

No entanto, as medidas não parecem ter efeito. Em 3 de setembro, Pyongyang testou sua bomba atômica mais potente, um artefato termonuclear ou uma bomba H, que, segundo o regime, poderia ser instalado em um míssil intercontinental. Nas semanas seguintes, o líder supremo Kim Jong-un e o presidente Trump trocaram insultos e ameaças.

Pyongyang disse que usaria armas nucleares para “afundar” o Japão e reduzir os EUA a “cinzas e escuridão” por terem apoiado as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU após o teste nuclear. / AFP, AP e REUTERS

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