Kyoto News/AP Photo
Kyoto News/AP Photo

Coreia do Norte faz novo teste nuclear e desafia comunidade internacional

Conselho de Segurança da ONU terá reunião extraordinária para discutir assunto

Cláudia Trevisan,

12 Fevereiro 2013 | 07h55

A Coreia do Norte realizou na manhã desta terça-feira seu terceiro teste nuclear, em um claro desafio à comunidade internacional e a seu principal aliado externo, a China. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) fará uma reunião de emergência ainda hoje para decidir como reagir ao novo movimento do regime mais isolado do mundo.

A explosão provocou um abalo sísmico de 4,9 pontos na escala Richter, detectado pelos serviços geológicos de vários países. O epicentro foi próximo ao local em que a Coreia do Norte realizou seus testes nucleares anteriores, em 2006 e 2009.

Segundo a agência de notícias Yonhap, da Coreia do Sul, o governo de Pyongyang comunicou a China e os Estados Unidos na segunda-feira que realizaria o teste nuclear.

Três horas depois da explosão, a Coreia do Norte anunciou que havia realizado um teste bem sucedido de um dispositivo nuclear “miniaturizado” e “mais leve”, com maior potência que os detonados no passado.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a ação e afirmou que ela representa uma “clara e grave violação” das sanções internacionais contra Pyongyang.

O regime liderado por Kim Jong-un ficou ainda mais isolado em dezembro, depois de ter colocado em órbita o satélite Kwangmyongsong-3, no que os Estados Unidos e seus aliados classificaram como um teste disfarçado de míssil balístico intercontinental _o foguete destinado ao lançamento de satélites contém parte da tecnologia para transporte de bombas atômicas.

Na época, o Conselho de Segurança da ONU decidiu aumentar as sanções contra a Coreia do Norte, posição que contou com o apoio da China.

Especialistas dizem que a Coreia do Norte já tem bombas nucleares, mas não desenvolveu ainda a capacidade de colocá-las em foguetes e fazê-las chegar a um alvo distante.

Tanto o teste de ontem quanto o lançamento do foguete em dezembro são passos importantes para o país alcançar esse objetivo. Se for confirmado que dispositivo é “miniaturizado” e “mais leve”, isso aumenta as chances de ele ser transportado por um míssil.

Em reunião realizada na segunda-feira, a cúpula dirigente da Coreia do Norte anunciou que o país continuará a realizar lançamentos de foguetes de longo alcance, apesar da oposição das Nações Unidas.

O teste de ontem deixa mais uma vez claro que o novo líder norte-coreano pretende manter a linha definida por seu pai, Kim Jong-il, de dar prioridade ao desenvolvimento militar do país.

A resistência da Coreia do Norte de abandonar sua postura belicosa representa um desafio ao novo dirigente máximo da China, Xi Jinping, que assumirá a presidência do país em março.

Mais conteúdo sobre:
Coreia do Norte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.