KCNA/via Reuters
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Coreia do Norte mostrou progresso em teste de motor de foguete, diz Seul

Governo sul-coreano afirmou que vizinho deu 'passo perigoso rumo ao objetivo de desenvolver um foguete que poderia atingir os EUA; Japão e Moscou pedem que Pyongyang pare com as provocações e aceite sanções da ONU

O Estado de S.Paulo

20 Março 2017 | 09h38

SEUL - O teste de motor de foguete mais recente da Coreia do Norte mostrou um progresso "significativo", disse a Coreia do Sul nesta segunda-feira, 20, e um analista afirmou se tratar de um passo perigoso rumo ao objetivo norte-coreano de desenvolver um foguete que poderia atingir os Estados Unidos.

No domingo, a agência de notícias norte-coreana KCNA disse que o motor irá ajudar Pyongyang a obter a capacidade de lançar satélites de nível internacional, o que indica um novo tipo de motor de foguete para um míssil balístico intercontinental.

O anúncio do Norte sobre o teste bem-sucedido ocorreu no momento em que o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, estava em Pequim, última parada de sua primeira visita à Ásia para conversas dominadas pela preocupação com os programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte.

"Por meio desse teste, soube-se que a função do motor teve um progresso significativo, mas é preciso mais análises para precisar a propulsão e os usos possíveis", disse Lee Jin-woo, vice-porta-voz do Ministério da Defesa sul-coreano, em um boletim à imprensa.

A mídia estatal norte-coreana disse que o líder Kim Jong-un louvou o teste do novo motor de alta propulsão em sua estação de lançamento, classificando-o como "um novo nascimento" de sua indústria de foguetes.

Lee disse que o teste empregou um motor principal auxiliado por quatro motores suplementares, mas não detalhou o progresso obtido pelo regime com o lançamento, nem comentou se o motor poderia ser usado em um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês), dizendo que os militares de seu país estão realizando estudos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse a repórteres que fez reuniões sobre a Coreia do Norte durante o final de semana em seu resort na Flórida. Embora não tenha se referido especificamente ao teste de motor de foguete, ele disse que Kim Jong-un está se "comportando muito, muito mal".

A Coreia do Norte já realizou cinco testes nucleares e uma série de lançamentos de mísseis, afrontando sanções da Organização das Nações Unidas (ONU), e especialistas e autoridades governamentais acreditam que o país está desenvolvendo mísseis para ogivas nucleares que poderiam alvejar os EUA. 

Reação. Os ministros das Relações Exteriores e Defesa do Japão e Rússia acordaram nesta segunda-feira em Tóquio pedir de maneira conjunta à Coreia do Norte que cesse suas provocações militares e cumpra com as resoluções da ONU.

Durante uma reunião, os ministros russos das Relações Exteriores e de Defesa, Serguei Lavrov e Serguei Shoigu, trataram com seus colegas japoneses, Fumio Kishida e Tomomi Inada, assuntos de segurança regional, como as tensões na península coreana.

Neste sentido, os dois países acordaram em sua primeira reunião deste tipo em matéria de segurança desde 2013 pedir de maneira conjunta ao regime de Kim Jong-un que pare com as provocações militares.

O ministro das Relações Exteriores japonês apontou em entrevista coletiva posterior ao encontro que Tóquio e Moscou "reafirmaram" a vontade de que a Coreia do Norte aceite as resoluções do Conselho de Segurança da ONU que lhe proíbem de desenvolver seus programas nuclear e de mísseis.

A reunião de hoje em Tóquio serviu, além disso, para acordar a visita em abril à Rússia do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, onde se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin, revelou Kishida durante a entrevista coletiva.

Outro assunto que foi posto sobre a mesa hoje foi o polêmico desdobramento por parte de Seul e Washington do escudo antimísseis THAAD em território sul-coreano, ao qual se opõem Pequim e Moscou. Neste sentido, o ministro das Relações Exteriores russo mostrou preocupação à parte japonesa e afirmou que não se justifica pela ameaça da Coreia do Norte, segundo a agência "Kyodo". / REUTERS e EFE

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