Ahn Young-joon/AP
Ahn Young-joon/AP

Coreia do Norte sofrerá consequências por naufrágio de navio, dizem EUA

Investigações apontam que navio norte-coreano disparou contra embarcação de Seul em março

Reuters

20 Maio 2010 | 16h25

WASHINGTON - Os Estados Unidos disseram nesta quinta-feira, 20, que a Coreia do Norte sofrerá consequências após uma investigação ter determinado que um torpedo norte-coreano afundou um navio da Marinha da Coreia do Sul em março, causando a morte de 46 marinheiros.

 

"Isso foi uma séria provocação. Certamente vão existir consequências para o que a Coreia do Norte fez", disse o porta-voz do departamento de Estado, P.J. Crowley, sem especificar quais seriam elas.

"Foi abominável, não é maneira como as nações civilizadas se tratam", completou.

 

Ele disse que o país está em consultas com a Coreia do Sul para estudar a melhor maneira de responder ao ocorrido.

 

A Coreia do Sul tomará a frente nas decisões sobre como responder ao que diz ter sido um ataque da Marinha norte-coreana, disse nesta o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates. O americano, porém, descartou qualquer ação militar do Pentágono contra a Coreia do Norte, já que seu país está ocupado com operações no Iraque e no Afeganistão.

 

Veja também:

linkPyongyang diz que haverá guerra se for acusada

linkEUA e China repudiam ataque a navio sul-coreano

linkCoreia do Norte afundou navio sul-coreano, diz perícia

 

"Se houver algum problema na Coreia, nossos principais corpos seriam a Marinha e a Força Aérea, mas eles não estão preparados como outras tropas", disse Gates, acrescentando que a Coreia do Sul seria consultada antes de ser tomada qualquer decisão.

 

"Novamente o ponto chave é lembrar que houve um ataque contra um navio sul-coreano. E Seul precisa estar à frente das negociações sobre como será a resposta a esse ato", completou Gates, anunciando que os EUA respaldam as conclusões sul-coreanas sobre o incidente.

 

A Casa Branca informou que está consultando o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e com os vizinhos das Coreias sobre a aplicação de novas sanções contra a Coreia do Norte. "Estamos em consulta com várias entidades", disse Robert Gibbs, porta-voz do governo.

 

A Coreia do Sul acusa os vizinhos do Norte de ter disparado contra um de seus navios de guerra no dia 27 de março. Segundo a perícia, o torpedo que atingiu o casco da embarcação era idêntico aos norte-coreanos. O incidente, que ocorreu na costa oeste sul-coreana, perto da fronteira com o Norte, deixou 46 marinheiros mortos.

 

Seul disse que tomaria "medidas firmes" contra o vizinho. Pyongyang negou envolvimento no caso, mas disse que estaria pronta para a guerra caso os sul-coreanos ou seus aliados impusessem sanções contra o país.

 

O almirante Mike Mullen, Chefe de Estado Maior dos EUA, a maior autoridade militar do país, disse que as forças americanas na Coreia do Sul não estão em estado de alerta. "Não alteramos o nível de atenção das tropas", disse.

 

O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito, que terminou em 1953, nunca foi formalmente encerrado, e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

 

Com informações da BBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.