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Coreia do Sul diz que Norte deve testar míssil

DAUM KIM E PHIL STEWART - Reuters

10 Abril 2013 | 18h 51

A Coreia do Sul disse na quarta-feira que existe uma "altíssima" probabilidade de que a Coreia do Norte, após semanas de ameaças bélicas, teste um míssil de médio alcance a qualquer momento, como demonstração de força.

O chanceler Yun Byung-se disse que a Coreia do Sul havia pedido à China e à Rússia para interceder junto ao Norte a fim de amenizar as tensões, que se agravaram desde que o Conselho de Segurança da ONU impôs novas sanções a Pyongyang, em fevereiro, por causa do seu terceiro teste com armas atômicas.

Em Washington, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, disse que a Coreia do Norte está chegando perto de uma "linha perigosa" com suas ameaças quase diárias contra os EUA e a Coreia do Sul, e alertou que os EUA estão preparados para responder a qualquer movimento de Pyongyang.

"A Coreia do Norte está, com sua retórica belicosa... chegando muito perto de uma linha perigosa. Suas ações e palavras não ajudam a acalmar uma situação inflamável", disse Hagel em entrevista coletiva no Pentágono.

A maioria dos analistas diz que a Coreia do Norte não tem a intenção de iniciar um conflito que poderia levar à sua própria destruição, mas alertam para os riscos decorrentes de um eventual erro de cálculo na península da Coreia, um dos lugares mais militarizados do planeta.

Em Seul, o clima era de absoluta calma, já que os sul-coreanos estão acostumados às frequentes injúrias do regime comunista do Norte. A Bolsa local teve uma ligeira alta de 0,77 por cento, depois de atingir nesta semana seu menor nível em quatro meses e meio, mas o movimento continua fraco, num sinal de que as ameaças norte-coreanas perturbam o cenário.

A Coreia do Sul disse também que a vigilância sobre a atividade do Norte foi reforçada. Veículos transportadores de mísseis foram vistos na província de Hamgyong do Sul, na costa leste da Coreia do Norte - possível local de um lançamento.

A Coreia do Norte celebrará várias datas cívicas do seu regime nos próximos dias, as quais podem servir de pretextos para demonstrações de força militar. Elas incluem o primeiro aniversário da ascensão oficial do líder Kim Jong-un ao poder, o 20º aniversário da ascensão do pai dele, Kim Jong-il (que morreu em 2011), e o aniversário de nascimento, já na próxima segunda-feira, do avô de Kim, o fundador do Estado norte-coreano, Kim Il-sung.

As ameaças quase diárias das últimas semanas contra a Coreia do Sul e os EUA desapareceram da imprensa estatal norte-coreana na quarta-feira, quando o foco se voltou em grande parte às iminentes festividades.

A TV estatal mostrou concentrações populares, inclusive de mulheres em trajes tradicionais, escutando discursos, depositando flores em monumentos e participando de um concurso culinário.

A agência de notícias KCNA disse que o povo está "empenhado ao máximo em decorar as cidades". Outro despacho relatava uma "disparada na produção" de carvão, aço, ferro e madeira, com cifras mostrando que as metas trimestrais foram amplamente superadas.