Antonio Cruz/Agência Brasil
Antonio Cruz/Agência Brasil

Coreia do Sul e Brasil: um paralelo entre os casos de impeachment

Ritos processuais que levaram ao fim dos governos de Park Geun-hey e Dilma Rousseff são distintos, mas queda das presidentes tem semelhanças

Mateus Fagundes, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

10 Março 2017 | 13h17

A primeira mulher eleita presidente do país sofre um impeachment após protestos populares. A principal empresa nacional é alvo de uma teia de corrupção que envolve parte do gabinete presidencial. Judiciário e Legislativo assumem o protagonismo diante da crise política. Pode ser um cenário no Brasil, mas é também na Coreia do Sul.

Nesta sexta-feira, 10, a Corte Constitucional sul-coreana considerou a presidente Park Geun-hye impedida de exercer o cargo. Ela havia sido afastada pelo Parlamento em dezembro. Apesar de os ritos processuais de impeachment serem distintos na Coreia do Sul e no Brasil, a queda das presidentes tem semelhanças.

Park chegou ao poder em 2012, embalada pelo legado do pai, o ditador Park Chung-Hee, morto em 1979. Eleita deputada pelo partido conservador em 1998, teve rápida ascensão na Coreia do Sul. Solteira e sem filhos, se dizia "mãe de todos os coreanos".

Dilma Rousseff ganhou destaque à frente da Casa Civil, a partir de 2005. No segundo mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi chamada de "mãe do PAC" pelo então presidente e seu futuro padrinho político.

O baixo crescimento econômico, suspeitas de corrupção e o descontentamento social e político levaram as duas mulheres ao centro de crises políticas em seus países.

No caso de Park, a amizade de 40 anos com Choi Soon-sil era alvo de desconfiança entre os eleitores. A imprensa e a Justiça descobriram que a amiga da presidente, apelidada de "Rasputina", teria utilizado sua influência para obter mais de US$ 70 milhões de diferentes empresas.

O herdeiro e vice-presidente da maior empresa do país, a Samsung, Jay Y. Lee, está preso desde 16 de fevereiro por suborno, desvio de dinheiro e perjúrio em conexão com pagamentos de US$ 37 milhões feitos pela empresa a entidades supostamente ligadas a Choi.

"Park ocultou completamente as intromissões de Choi em assuntos de Estado e as desmentiu quando ficaram públicas", afirmou a presidente interino da Corte Constitucional, Lee Jung-mi, nesta sexta. Motivo suficiente, nas leis da Coreia do Sul, para a presidente ser julgada e afastada por abuso de poder e falta de transparência.

Park também foi acusada de negligência em 2014, quando mais de 300 pessoas morreram no desastre do ferry Sewol. Park também é criticada por supostamente perseguir artistas de oposição.

No Brasil, o governo Dilma foi acusado de envolvimento no caso de corrupção na Petrobrás, investigada pela operação Lava Jato. Após a reeleição em 2014, a economia caiu, a inflação subiu e o País mergulhou em uma crise econômica e política. Dilma foi afastada pelas chamadas pedaladas fiscais.

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