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Coreia do Sul e EUA iniciam suas maiores manobras militares conjuntas

Países realizarão exercícios militares em março e abril que incluirão o treinamento de estratégias de combate nunca antes ensaiadas para simular inutilização de armas de destruição em massa

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O Estado de S. Paulo

07 Março 2016 | 10h17

SEUL - Coreia do Sul e Estados Unidos iniciaram nesta segunda-feira, 7, manobras militares conjuntas que serão as maiores já realizadas pelos dois países até o momento, em um ambiente de grande tensão, depois que a Coreia do Norte ameaçou realizar "ataques preventivos" contra os dois aliados.

Os exercícios anuais Key Resolve e Foal Eagle, orientados a coordenar a defesa de Seul e Washington perante um eventual conflito com a Coreia do Norte, se prolongarão até o dia 18 de março e 30 de abril respectivamente, anunciaram as Forças dos EUA na Coreia do Sul (USFK) em comunicado.

Os exercícios deste ano estão marcados pelas ameaças do regime de Kim Jong-un, que prometeu nesta segunda responder com "ataques preventivos" e afirmou contar com alvos militares sul-coreanos "dentro de seu alcance", assim como com bases americanas na Ásia-Pacífico.

Cerca de 17 mil militares americanos no total participarão de ambos os exercícios, segundo o comunicado. As manobras serão as de maior escala executadas até o momento na península coreana, segundo anteciparam autoridades de Seul e Washington, e envolverão também de maneira conjunta mais de 300 mil militares sul-coreanos.

As forças dos dois países testarão estratégias de combate conjuntas não ensaiadas até o momento e incluirão o exercício OPLAN 5015, que simula a inutilização das armas de destruição em massa do inimigo e a preparação das tropas para um ataque preventivo. 

Ameaças. "As manobras militares conjuntas organizadas pelos inimigos são encaradas como exercícios de guerra nuclear não dissimulados destinados a minar a soberania (da Coreia do Norte), sua resposta militar será efetuar ataques nucleares preventivos e ofensivos", informou em comunicado o regime comunista.

Em uma declaração divulgada na sexta-feira pela agência oficial KCNA, o líder norte-coreano Kim Jong-un já deu o tom, depois da adoção de sanções na ONU: "Devemos estar sempre prontos, a cada instante, para utilizar nosso arsenal nuclear".

A retórica belicosa é uma constante do regime mais isolado do mundo quando as tensões aumentam com Seul. Pyongyang dispõe certamente de um pequeno arsenal de ogivas nucleares, mas os especialistas estão divididos quanto a sua capacidade para instalá-las em mísseis.

A Comissão de Defesa Nacional afirma que planos de "ataque nuclear preventivo em nome da justiça" foram elaborados pelo Comando Supremo do Exército Popular Coreano, validados por Kim, e estão prontos para ser aplicados "mesmo no caso da mínima ação militar" dos inimigos do Norte.

"O ataque nuclear às cegas (...) mostrará claramente aos entusiastas da agressão e da guerra a determinação" do Norte, prossegue a Comissão.

Os alvos, afirma, podem ser sul-coreanos, mas os ataques também podem apontar contra as bases americanas da região Ásia-Pacífico e inclusive Estados Unidos.

"Se apertarmos os botões para aniquilar nossos inimigos (...), todas as origens das provocações ficarão reduzidas em um instante a oceanos de chamas e cinzas", acrescenta.

Os lançamentos de foguetes permitiram avançar com o programa norte-coreano de mísseis balísticos, mas a maioria dos especialistas pensam que Pyongyang não domina a tecnologia de entrada na atmosfera, depois da fase de voo balístico, que seria necessária para alcançar um território tão distante quanto os Estados Unidos. / EFE e AFP

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