Correio dos EUA não garante segurança postal

O chefe do Serviço Postal dos EUA, John Potter, advertiu nesta quarta-feira os norte-americanos de que o setor não tem como garantir a segurança da correspondência e pediu às pessoas que manuseiem cartas e pacotes com muito cuidado. Potter disse haver a possibilidade de que um envelope com antraz possa passar esporos para outros da mesma área de distribuição. Ao mesmo tempo, o inspetor-geral de saúde, David Satcher, reconheceu que as autoridades "erraram" ao não reagir rapidamente aos casos de correspondência contaminada em Washington. Sindicatos de carteiros estão protestando em vários pontos do país, e, na Flórida - onde uma pessoa morreu da doença -, os líderes sindicais pretendem entrar na Justiça. Três novos casos de inalação da bactéria foram anunciados nesta quarta-feira, vinculados a uma carta endereçada ao líder da maioria no Senado, o democrata Tom Daschle, no Capitólio. Há uma nova vítima também em Nova York: um empregado do setor de triagem de correspondência do diário The New York Post. É o segundo caso no jornal - os dois contraíram a doença pela pele, forma em que é mais tratável com antibióticos. A inalação do antraz é fatal em 90% dos pacientes. Até agora, morreram três pessoas: um fotógrafo na Flórida e dois empregados da agência Brentwood do Correio em Washington. As três novas vítimas na capital - um homem e duas mulheres - também trabalhavam nessa agência, de onde partiu a carta para o senador Daschle. No Capitólio, exames revelaram que 28 pessoas tiveram contato com o antraz, mas em nenhuma a enfermidade se desenvolveu. "Eles chegaram aqui com sintomas de gripe e dificuldades respiratórias. O fato de serem da ?zona quente? foi o motivo pelo qual iniciamos os testes e o tratamento", disse o porta-voz do Holy Cross Hospital, Mike Hall. Na Casa Branca, cerca de 200 funcionários começaram a tomar antibióticos como precaução, depois que esporos (a bactéria dormente) do antraz foram encontrados em um setor postal que despacha correspondência para a sede do governo. O setor fica instalado em uma área militar a alguns quilômetros de distância. Os primeiros exames não revelaram nenhum caso de contaminação. Os esporos encontrados ofereciam pouco perigo. A polícia argentina informou estar investigando vários relatos de que um pequeno avião espalhou pó branco sobre o subúrbio de Lomas de Zamora, a 19 quilômetros de Buenos Aires. Bombeiros colheram amostras do material para análise. O temor é grande na Argentina, porque um caso foi diagnosticado no país, na semana passada. Leia o especial

Agencia Estado,

24 Outubro 2001 | 22h08

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