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AFP / LOUISA GOULIAMAKI

Cresce atrito entre Grécia e Áustria sobre imigrantes

Governo de Alexis Tsipras se recusa a receber em Atenas a ministra austríaca do Interior

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Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL / CALAIS,
O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2016 | 21h52

O atrito diplomático entre os governos da Grécia e da Áustria em torno da crise imigratória na Europa cresceu nesta sexta-feira, quando o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras se recusou a receber a ministra austríaca do Interior, Johanna Mikl-Leitner. 

A decisão foi o segundo atrito político entre os dois países em 48 horas, depois que Atenas intimou a embaixadora grega em Viena para buscar esclarecimentos sobre uma reunião realizada por países dos Bálcãs, sem que a Grécia fosse convidada para o ato.

Nas últimas semanas, Atenas tem sido acusada de abrir as portas da União Europeia à entrada de imigrantes, em especial sírios, iraquianos e afegãos, que chegam vindos da Turquia. Uma vez no Espaço Schengen, a área de livre circulação de pessoas no bloco, os estrangeiros conseguem atravessar fronteiras e circular em outros países, nos quais podem registrar pedidos de asilo ou refúgio político. 

Países como a Hungria e a Áustria, corredores de passagem para a Alemanha e a Escandinávia, já informaram Bruxelas que pretendem fechar suas fronteiras com a Grécia se a crise persistir na primavera europeia – quando as temperaturas mais amenas devem influenciar em um aumento do fluxo de imigrantes. 

Na quinta-feira, em uma reunião de ministros do Interior, Johanna Mikl-Leitner chegou a questionar a permanência grega no Espaço Schengen. “Se as fronteiras exteriores da Grécia não podem ser protegidas, ainda podemos considerá-las como as fronteiras de Schengen”, afirmou.

Nesta sexta-feira, o ministro grego de Política Migratória, Yannis Mouzalas, voltou a criticar o governo austríaco, acusando a ministra de acentuar as divergências entre os dois países. Por sua vez, Johanna Mikl-Leitner publicou um comunicado no qual afirma estar disponível para viajar a Atenas no futuro e discutir a proteção de fronteiras com o governo de Tsipras.

O impasse não resolve a questão mais emergencial para a União Europeia: a intensificação do patrulhamento no Mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia, pela Agência Europeia de Fronteiras Exteriores (Frontex). Essa é uma das alternativas defendidas por Bruxelas para enfrentar a perspectiva de uma nova onda migratória que se desenha. 

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 102 mil migrantes já chegaram à Grécia só em 2016, no auge do inverno, quando o fluxo de estrangeiros foi menor em razão do frio rigoroso ao longo da chamada Rota dos Bálcãs. 

Guerra civil. O governo da Turquia, um dos países que mais recebem imigrantes vindos de países em conflito e cruzam o território rumo ao Espaço Schengen, afirmou ontem que a crise vai piorar a menos que os ataques realizados pelo governo da Síria contra grupos rebeldes sejam encerrados. 

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta sexta-feira por meio de seu porta-voz e assessor, Ibrahim Kalin, que o governo da Turquia já deportou 3.800 pessoas como parte dos esforços de combate ao Estado Islâmico. Barcos improvisados de imigrantes deixam a costa turca diariamente rumo a destinos como a Grécia. 

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