REUTERS/Michaela Rehle
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Crime e refugiados na Alemanha

No rascunho de acordo para a formação do novo governo alemão, social-democratas e democrata-cristãos se comprometeram a limitar o número de refugiados a 220 mil ao ano

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2018 | 06h00

No rascunho de acordo para a formação do novo governo alemão, social-democratas e democrata-cristãos se comprometeram a limitar o número de refugiados a 220 mil ao ano. Depois de somar 1,4 milhão, entre 2014 e 2016, esse total caiu a 207 mil, em 2017 (até novembro). Um dos maiores pontos de discórdia diz respeito aos vistos para mulheres e parentes de asilados. Pelo acordo, eles serão limitados a mil por mês e sujeitos a condições especiais.

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Fechar a porta aos parentes é um erro, afirma um estudo da Universidade Suíça de Ciências Aplicadas, encomendado pelo governo alemão: “O efeito civilizatório das mulheres será menor, enquanto ganhará peso a orientação masculina para a legitimidade da violência”. O estudo tocou pela primeira vez num tabu: associou a alta na criminalidade à onda de refugiados em pelo menos um Estado, a Baixa Saxônia, onde 9% dos habitantes não têm cidadania alemã.

Entre 2007 e 2014, os crimes violentos caíram 22% por lá, mas voltaram a subir 10,4% em 2016, tendência que se repetiu no restante do país. A polícia da Baixa Saxônia resolveu 82% dos casos e classificou os acusados por origem. Os crimes atribuídos a refugiados subiram 242%, para 13,3% do total. “É possível imputar 92,1% do aumento nos casos de violência esclarecidos desde 2014 na Baixa Saxônia aos refugiados”, diz o estudo.

A surpresa é a origem dos mais violentos: o norte da África. Magrebinos, menos de 1% do total, responderam por 17% dos crimes atribuídos a refugiados. Os 55% que vieram de Síria, Iraque e Afeganistão, por 35%. A maioria das vítimas de assassinatos (91%) não é de alemães – 49% é também de refugiados. Em contrapartida, 70% dos roubos e 59% dos estupros vitimaram cidadãos alemães.

Crescei e multiplicai-vos!

Muçulmanos são o grupo religioso que mais crescerá até 2060: 70%, ante um aumento de 32% na população global, segundo projeção do Pew Research Center. Em 2035, já haverá mais bebês muçulmanos que cristãos. Na Europa, mesmo que não haja migração, os muçulmanos crescerão de 5% da população para 7,4% em 2050.

Imigração é vital para crescimento americano

O presidente Donald Trump pode soltar o palavrão que quiser. Imigrantes serão essenciais para o crescimento econômico dos Estados Unidos nas próximas décadas. Sem a imigração, a força de trabalho projetada para 2035 cairia de 183 milhões para 166 milhões, diz o Pew.  

Deneuve: contra #metoo, a favor do ‘Queermuseu’

O manifesto de 100 francesas contra o “puritanismo” que toma conta do combate ao assédio sexual – escrito por Sarah Chiche, Catherine Millet, Catherine Robbe-Grillet, Peggy Sastre e Abnousse Shalmani e subscrito pela atriz Catherine Deneuve – defende o direito de homens “importunarem” mulheres, desde que sem violência, com o mesmo argumento usado para defender o direito de artistas “ofenderem” o público. “Ali, um nu de Egon Schiele é censurado num cartaz; aqui, exige-se a retirada de um quadro de Balthus, considerado apologia da pedofilia”, escrevem. “O filósofo Ruwen Ogien defendia a liberdade de ofender indispensável à criação artística. Defendemos a liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual.” 

É a publicidade, estúpido!

Mark Zuckerberg prometeu “consertar” o Facebook, atingido por “abuso, ódio e interferência de estados nacionais”. Isso é impossível sem abrir mão da publicidade caça-níqueis, diz o veterano do Vale do Silício John Batelle. Os anúncios, diz ele, deveriam ser cobrados pelo contexto em que aparecem, não pelo tipo de público que atingem. Só que o faturamento seria menor. “Se Zuckerberg decidir mesmo ‘consertar’ o Facebook, as ações despencarão”, diz Batelle.

Cerco às redes sociais na Europa

A Comissão Europeia quer apertar o cerco às redes sociais. A proposta é obrigar a remoção de conteúdo ilegal, incitação ao ódio, violência ou terrorismo em até duas horas após a ordem da Justiça. Na Alemanha, o prazo é de 24 horas, sob pena de multa de € 50 milhões. O medo de penas maiores pode levar as redes à censura preventiva, pois vigiar todo o conteúdo é impraticável – a cada segundo, 8 mil mensagens são publicadas no Twitter e 72 mil vídeos são vistos no YouTube.

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