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Crise do Ebola deve piorar, diz presidente da Libéria

O surto já matou 1.426 das 2.615 pessoas infectadas com o vírus, sendo que metade das mortes ocorreram na Libéria

Governo do presidente Ellen Johnson Sirleaf tem sido criticado pela resposta lenta
Governo do presidente Ellen Johnson Sirleaf tem sido criticado pela resposta lenta

A crise causada pelo surto de ebola deve piorar nos próximos meses, alertou a presidente da Libéria nesta terça-feira, reconhecendo o estrago causado pela epidemia. "É improvável que estejamos no ápice da propagação do ebola", disse a presidente Ellen Johnson Sirleaf, por e-mail, em resposta às questões do jornal The Wall Street Journal.

A epidemia, que tem prejudicado a política e a economia do pequeno país do oeste africano, confronta Sirleaf, de 75 anos, com uma crise importante dois anos antes do fim de seu mandato. O surto matou 1.426 das 2.615 pessoas infectadas com o vírus, sendo que metade das mortes ocorreram na Libéria. Seu governo tem sido criticado pela resposta relativamente lenta e autoridades enfrentam uma batalha crescente para conter a doença.

Nesta terça-feira, a presidente dispensou todas as autoridades que não acataram seu ultimato, publicado no começo de agosto, que pedia o retorno de todas as viagens estrangeiras, informou seu porta-voz, Jerolimnek Piah. Ele se recusou a dizer quantas autoridades foram cassadas.

Para Sirleaf, os relatos de liberianos negando a existência do ebola foram exagerados. "A vasta maioria dos liberianos está ouvindo o governo", ela disse. "Só porque a mídia amplificou uns poucos incidentes nos quais civis não ouviram o governo e reagiram inapropriadamente essa não é a norma."

A presidente disse, no entanto, que as medidas do governo para conter a doença estão funcionando. "Nós podemos ver o fim", ela disse. Para controlar a epidemia, autoridades liberianas recorreram a medidas drásticas. Dois bairros altamente povoados foram postos em quarentena, ao mesmo tempo em que escolas foram fechadas e transformadas em centros de monitoramento para pessoas que apresentam sintomas de ebola.

"A maior preocupação para a maioria de nossos cidadãos não é que a doença tire suas vidas, mas que tire seu sustento", afirmou Sirleaf. "O que é desolador é que os métodos que precisamos usar para combater a propagação do vírus - fechar fronteiras, erguer postos de controle e fechar todos os escritórios do governo não essenciais - prejudicam a atividade comercial e os negócios."

Em seu e-mail, a primeira presidente mulher eleita da África defendeu os ganhos da Libéria em seu governo. O país estava apenas começando a reconstruir sua economia, após 14 anos de uma guerra civil na qual a Libéria perdeu 90% de seu Produto Interno Bruto (PIB). "Precisamos lembrar que, mesmo antes da epidemia de ebola, a economia da Libéria era encorajadora, mas ainda frágil", disse Sirleaf. Fonte: Dow Jones Newswires.