AP Photo/Amel Emric
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Crise dos refugiados afeta turismo nas ilhas do Mar Egeu

Alguns destinos mais procurados pelos turistas sofrem com a perda de visitantes. Mesmo com redução na chegada de imigrantes, imagens de lanches carregando corpos de pessoas que não sobreviveram continuam na mente dos viajantes

O Estado de S. Paulo

18 Abril 2016 | 07h00

MITILENE, GRÉCIA - As praias de água cristalina das ilhas do Mar Egeu estão entre os destinos mais procurados pelos turistas, mas as chegadas em massa de refugiados a essa região nos últimos meses começaram a debilitar o turismo local.

Durante meses, as telas de televisão de toda a Europa exibiram as chegadas de lanchas carregadas de imigrantes e corpos de pessoas que não sobreviveram à travessia.

Embora as chegadas tenham se reduzido consideravelmente desde o início do acordo de imigração entre União Europeia e Turquia, é muito complicado apagar esta imagem do imaginário coletivo.

"O problema é que não podemos convencer nossos clientes que a situação está sob controle. Os europeus ouvem 'Ilha do Egeu' e acham que verão refugiados ao chegar à praia. As pessoas não vêm porque, entre outras coisas, têm medo de roubos. A imprensa contribuiu para isso de forma negativa", explicou Petros Fragudakis, presidente dos hoteleiros de Quíos.

Segundo o presidente dos hoteleiros de Lesbos, Periklis Andoniu, as chegadas de voos de baixo custo e cruzeiros caíram mais da metade em comparação com 2015.

Todos os hotéis de Mitilene, capital da ilha, estão em funcionamento, mas a situação no restante da região é muito pior. No norte da ilha, as reservas diminuíram entre 70% e 80%, segundo dados da associação de hoteleiros de Lesbos.

Tsimi, proprietário de uma taverna em Mitilene, contou que nesta época do ano normalmente já estariam chegando os turistas que gostam de caminhadas por ambientes naturais. No entanto, ele afirma que quase não há reservas neste ano.

O único fator que deu vida ao porto de Mitilene foi a presença de funcionários da União Europeia encarregados de tramitar a deportação de refugiados.

A situação humanitária vivida pelos refugiados nas ilhas durante os últimos meses também atraiu um grande movimento de voluntários, integrantes de ONGs e jornalistas, que se hospedam no local.

"A Agência da ONU para os Refugiados, a Frontex e demais organismos querem alugar edifícios com contratos a longo prazo, já que a crise de refugiados não terminará em pouco tempo", comentou Andoniu.

Tsimi afirmou que, embora sua taverna tenha estado cheia nessas noites, estes visitantes são circunstanciais. Além disso, estão em número muito inferior aos turistas que normalmente estariam sentados em seus lugares.

A quantidade de pessoas também foi excepcional neste fim de semana no porto de Mitilene. A visita do papa Francisco, do patriarca ortodoxo Bartolomeu e do arcebispo de Atenas e toda a Grécia Jerônimo II atraiu muitos visitantes à região.

"A ilha está tão limpa como Atenas às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2004", explicou Andoniu ao comentar a operação realizada na capital para a visita do papa.

Outro pontos críticos sobre a indústria turística nas ilhas é a alta do imposto sobre o valor agregado (IVA). Até 2015, as ilhas gregas faziam parte de um regime especial, mas a partir de julho passará a ser aplicado o mesmo tipo do restante do país, 23%, sobre o qual há o receio de afetar diretamente o consumo, e com isso a hotelaria.

"É o golpe de misericórdia para o turismo da ilha", afirmou Fragudakis. /EFE

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