CARLO ALLEGRI|REUTERS-29|09|2015
CARLO ALLEGRI|REUTERS-29|09|2015

Crise na Coreia: Até que ponto vai a loucura de Kim?

Não há surpresa nas bravatas de Trump ou Kim. Eles competem no apetite pelo risco

Helio Gurovitz , O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2017 | 05h00

“Nuh jukgo, nah jukja!” – você morre, eu morro. Assim é descrito em coreano o impasse entre Kim Jong-un e Donald Trump. É a situação imaginada em 1966 pelo Nobel de Economia Thomas Schelling, autor do clássico A estratégia do Conflito (1960) e primeiro a aplicar a Teoria dos Jogos à escalada nuclear. 

No jogo de Schelling, dois rivais lutam acorrentados à beira de um abismo. Se um desiste, o outro ganha o prêmio. Se nenhum desiste, os dois arriscam despencar juntos. Ele mostra que a melhor estratégia para levar o adversário a desistir é arriscar-se ao máximo perto da borda. 

“É preciso ficar no barranco num ponto de onde se possa cair apesar dos melhores esforços para se salvar, arrastando o adversário junto”, escreveu. Se um acredita mesmo que o outro é louco a ponto de matar os dois, acaba cedendo – daí o nome com que a estratégia depois ficou conhecida, Teoria do Louco. 

Não há surpresa, portanto, nas bravatas de Trump ou Kim. Eles competem no apetite pelo risco. Um precisa convencer o outro de que está mesmo disposto a apertar o botão vermelho. Mas, mesmo que a Teoria dos Jogos considere os blefes do pôquer nuclear, ela não permite perscrutar o objetivo concreto de cada jogador. 

“Simplesmente não sabemos como Kim Jong-un encara o uso do arsenal nuclear de seu país”, escreve na New Yorker Evan Osnos, que visitou a Coreia do Norte em agosto. “Em 18 anos de reportagem, nunca senti tanta incerteza.” 

Kim assume riscos porque quer mesmo a guerra para retomar a Coreia do Sul? Ou em defesa própria, por ter medo de acabar como Muamar Kadafi, que desmantelou seu programa nuclear, depois foi esmagado pelo Ocidente? O desfecho depende da resposta. 

Outra morte misteriosa na Argentina?

Não estão esclarecidas as circunstâncias da morte do financista Aldo Ducler no início de junho, dois dias depois de ele se comprometer a delatar falcatruas ligadas aos governos de Néstor e Cristina Kirchner. Principal operador do casal K, Ducler morreu, pela versão oficial, de enfarte no meio da rua. “Alguém de bom senso pode acreditar que meu pai morreu de causas naturais 48 horas depois de denunciar o maior escândalo de Korrupção (com K mesmo) na Argentina?”, tuitou na semana passada seu filho Juan Manuel Ducler. 

 

O ano da livre-expressão em Berkeley

A imagem da Universidade da Califórnia em Berkeley foi maculada pela reação violenta de estudantes contra uma palestra do troll de direita Milo Yiannopoulos no início de fevereiro. A nova reitora, Carol Christ, convocou um ano de defesa da liberdade de expressão. “Não podemos negar a alguém o direito de falar com base em suas opiniões, não importa quão odiosas nos pareçam”, disse no primeiro evento dedicado ao tema. 

 

Neonazistas querem criar a ‘alt-tech’

Redes sociais, serviços de hospedagem e centrais de aplicativos móveis entraram em guerra contra neonazistas e supremacistas nos Estados Unidos depois de Charlottesville. Em vez de tirar do ar contas individuais, agora expulsam organizações ou serviços, como a rede social Gab. Como reação, foram criadas plataformas paralelas, sob o argumento de defender a liberdade de expressão – alternativas a Facebook, Wikipédia, sites de namoro e até crowdfunding. O movimento foi apelidado “alt-tech”. 

 

O recorde de 26 anos de  crescimento na Austrália

A Austrália acaba de quebrar um recorde antes pertencente à Holanda: 104 trimestres consecutivos de crescimento econômico. A última recessão por lá aconteceu há 26 anos. O segredo dos cangurus? Contas públicas em ordem, câmbio flutuante e uma ajudinha da demanda chinesa. 

 

Os 25 anos de Graydon na Vanity Fair

Aos 68 anos, Graydon Carter anunciou que deixará o comando da Vanity Fair em dezembro, depois de 25 anos, gestão mais longeva da revista. Pela marca naquela que é tida como melhor revista do mundo, ele entra no panteão que inclui nomes como Frank Crowninshield (fundador da Vanity Fair), Harold Ross e William Shawn (New Yorker), Henry Luce e Britton Hadden (Time), Harold Hayes (Esquire) e Clay Felker (New York). 

 

Um ano de Meghan com o príncipe Harry

Na capa de outubro, Carter colocou, sem maquiagem, a atriz californiana que namora o príncipe Harry há um ano (outro recorde): Meghan Markle. Filha de uma negra e um branco, de 36 anos, ex-aluna de uma escola católica, divorciada e formada em relações internacionais, Meghan já desperta resistência na família real.

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