Alejandro Pagni/AFP
Alejandro Pagni/AFP

Cristina é acusada de lavagem de dinheiro

Promotor Guillermo Marijuán abre investigação após ver indícios de envolvimento da ex-presidente da Argentina em novo escândalo

O Estado de S. Paulo

09 Abril 2016 | 18h00

BUENOS AIRES - O promotor federal Guillermo Marijuán decidiu neste sábado investigar a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner por lavagem de dinheiro. O ex-ministro do Planejamento, Julio de Vido, e o empresário Ernesto Clarens também fazem parte do pedido feito por Marijuán. A informação foi confirmada por fontes do Judiciário aos principais jornais argentinos. 

O pedido do e investigação ocorreu após um longo depoimento de 12 horas do empresário Leonardo Fariña, na sexta-feira, como parte de um escândalo que envolve também o empresário Lázaro Báez, ex-aliado de Néstor e Cristina Kirchner. Fariña envolveu o casal e funcionários de alto escalão do governo anterior em casos de superfaturamento de obras e lavagem de dinheiro.

O Ministério da Justiça disse que não revelaria a identidade das pessoas que estão sob investigação – além de Cristina, Vido e Clarens. O juiz Sebastián Casanello determinou que o caso siga em segredo. 

Ex-aliado. Báez é um conhecido empresário da construção civil que chegou a ganhar 80% das concessões de obras na Província de Santa Cruz, berço político dos Kirchners. Em 2013, em entrevista ao programa Periodismo para Todos, do canal Trece, Báez já havia acusado Cristina de lavagem de dinheiro e de sonegação, mas depois negou tudo. Indiciado na semana passada, ele também prestou depoimento na sexta-feira. 

Durante a semana, diante da ameaça de um novo escândalo afetar a imagem da ex-presidente, grupos kirchneristas falavam em convocar marchas para apoiá-la. Pichações pelas ruas de Buenos Aires prometem “o caos” caso a ex-presidente fosse indiciada.

Mais complicado do que o caso de Cristina é o escândalo envolvendo o ex-ministro do Planejamento Julio de Vido, hoje deputado federal. Ele era o chefe de Ricardo Jaime, titular da pasta de Transportes entre 2003 e 2009, que é acusado de superfaturar trens, atualmente sucateados, que teriam sido comprados por € 100 milhões de Espanha e Portugal. 

Jaime está preso na penitenciária de Ezeiza. Em depoimento, ele disse “ter seguido ordens superiores” para justificar a compra dos trens superfaturados. Tanto Vido quanto Jaime foram citados na Operação Lava Jato como possíveis beneficiários de suborno.

Conexões. O casal Kirchner está envolvido ainda em outros escândalos. O jornal La Nación revelou que Báez e Néstor foram sócios na propriedade de um terreno de 87 mil metros quadrados em El Calafate, berço político da família. Cristina teria usado o terreno para ampliar seu hotel butique Los Sauces.

Em outro caso, a empresa Valle Mitre, também de Báez, foi responsável, até 2013, pela administração de três hotéis pertencentes a Cristina: o Alto Calafate, o Las Dunas e o Aldea del Chaltén.

O indiciamento de hoje não tem ligação com o caso em que a ex-presidente é suspeita de realizar operações ilegais de câmbio. Na quarta-feira, Cristina foi convocada para depor em Buenos Aires em uma investigação sobre fraude no Banco Central, motivada pela venda em massa de dólar futuro na última etapa de seu governo.

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