AFP PHOTO / Telam / CARLOS BRIGO
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Cristina pede destituição de juiz que a chamou a depor

Claudio Bonadio investiga se a cúpula kirchnerista agiu de má-fé no fim do governo anterior, ao vender dólar em contratos para entrega neste ano com um preço 42% abaixo da cotação internacional

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2016 | 17h20

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner solicitou ao Conselho da Magistratura nesta quinta-feira, 14, a destituição do juiz que a convocou a depor ontem em Buenos Aires. Claudio Bonadio investiga se a cúpula kirchnerista agiu de má-fé no fim do governo anterior, ao vender dólar em contratos para entrega neste ano com um preço 42% abaixo da cotação internacional, que usava o mercado paralelo como base. A manobra, que ajudou a diminuir a demanda pela divisa, causou um prejuízo de R$ 18 bilhões, segundo ele.

Cristina quer que o juiz perca o cargo em um julgamento político. Ela acredita que ele contrariou a lei deliberadamente ao convocá-la a depor e o acusa de mal-desempenho e prevaricação.

Em dezembro de 2014, Bonadio teve 30% de seu salário cortado durante seis meses. A decisão foi tomada pelo mesmo conselho acionado agora por Cristina. Então, o órgão então controlado por políticos kirchneristas. Agora, aliados do presidente Mauricio Macri são maioria, razão pela qual tem pouca chance de avançar a ofensiva de Cristina contra Bonadio.

 

A alegação para a redução salarial em 2014 foi a demora no cumprimento de prazos. O juiz denunciou o ato como pressão do governo de Cristina, contra o qual ele comandava as principais denúncias. A ex-presidente considera Bonadio um inimigo declarado e deixou isso claro em sua defesa apresentada por escrito ontem, na primeira vez que depôs como suspeita de um crime. “A hipótese de associação ilícita foi construída capciosamente pelo magistrado”, escreveu a ex-presidente na defesa, para “plantar uma causa que me prive de liberdade”.

No fim do governo de Cristina, Bonadio foi afastado do comando da causa Hotesur, que investiga lavagem de dinheiro em um esquema entre a família da ex-presidente e o empresário Lázaro Báez. Há indícios de que o empreiteiro pagou a ocupação de hotéis da família sem que eles tivessem sido frequentados.

A remoção de Bonadio dessa investigação veio depois de ele ter ordenado no ano passado uma série de batidas policiais contra empresas da família Kirchner. As operações no sul do país usaram a Polícia Metropolitana, comandada pelo partido de Macri. Bonadio alegou que usar qualquer outra força teria sido ineficaz, pois os alvos da operação estariam avisados.

O vice de Cristina, Amado Boudou, que enfrenta várias denúncias de corrupção, livrou-se nesta quinta-feira da acusação de ter recebido favores de empresários, formalizada depois de ele ter viajado em aeronaves privadas no exercício da função. 

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