EFE/Silvina Frydlewsky
EFE/Silvina Frydlewsky

Cristina volta a travar importações em Buenos Aires

Concentração de kirchneristas bloqueia vias e impede caminhões de chegar a região portuária

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

13 Abril 2016 | 20h46

Caminhoneiros que reclamavam das travas impostas por Cristina Kirchner às importações como estratégia para proteger a indústria e evitar saída de dólares tiveram nesta quarta-feira um “déjà vu ao volante”.

A mobilização de milhares de kirchneristas diante do tribunal da Rua Comodoro Py fechou as principais vias do porto no bairro de Retiro, onde eles precisavam retirar a mercadoria. Desde as primeiras horas da manhã, longas filas se formaram. Por algumas horas, Cristina voltou a travar as importações.

“A solução seria jogar uma bomba”, reclamava ao volante Jorge Muller, de 31 anos, que esperava desde as 7 horas para carregar um contêiner com cereais. Ele lamentava a perda de dinheiro, mas principalmente do tempo que passaria com a família à tarde.

Gabriel Cataldi, de 44 anos, esperava havia três horas para retirar um contêiner. Receberia pelo serviço 800 pesos (R$ 194). Ele havia descarregado cereais no Porto de Avellaneda no dia anterior e ganhara a nova tarefa sem saber da manifestação que conturbou o trânsito no restante da cidade. “Se soubesse que ia gastar mais em combustível do que ganharia no frete, teria ficado em casa”, disse.

A irritação de Cataldi era geral. Culpava o presidente Mauricio Macri por “permitir” a convocação de Cristina. E também os manifestantes, por bloquear todas as ruas com tambores e bandeiras. “É impressionante a quantidade de gente que não trabalha na manhã de uma quarta-feira”, desabafou. 

Entre os que “enforcaram” o serviço estava a família de Laura Jocou. Ela e o marido partiram de Rosario, a 300 quilômetros, no próprio carro, às 4 horas. Chegaram às 8 horas. “Meu marido explicou ao chefe a razão e ele autorizou”, disse Laura.

Ela abrigava da chuva as filhas Camila, de 6 anos, que perdeu a aula para ver a ex-presidente, e Vera, de 18 meses. A menor não podia enxergar nada. Seu carrinho estava protegido por uma capa plástica coberta de pingos. “Viemos apoiar Cristina porque ela nos apoiou”, disse Laura, crítica de todas as medidas aplicadas por Macri desde dezembro. 

Uma delas foi terminar com as Declarações Juradas Antecipadas de Exportação (DJAI), que já eram reprovadas pela legislação internacional e bloqueavam o ingresso de diversos produtos. 

Diante da reclamação de empresários locais sobre liberação “excessiva”, Macri aumentou a lista de licenças não automáticas. Ainda assim, há relatos de menor burocracia na entrada de produtos como os guarda-chuvas chineses que Ruben Delgado vendia a 100 pesos (R$ 24).

“Venho como vendedor e militante. No ano passado, vendia o mesmo guarda-chuva a 50 pesos. Os chineses que importam já os tinham estocados, mas com a inflação resolveram aumentar”, reclamava. Nem as bandeiras com a inscrição “Cristina Eterna” escaparam da inflação atribuída a Macri. De 50 pesos (R$ 12), passaram a 80 pesos (R$ 19,50).

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