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Cuba aumenta taxas e restringe importações de bens de consumo

O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2014 | 15h 38

Governo mira o mercado negro de produtos difíceis de serem encontrados ou vendidos com altos impostos

ENRIQUE DE LA OSA/REUTERS
A medida do governo para desacelerar o comércio aumenta as tarifas sobre o preço das embalagens enviadas pelo correio e de produtos populares como Tvs

HAVANA - O governo de Cuba aumentou as taxas e restringiu as importações de bens de consumo levados ao país por avião ou correio. A medida entrou em vigor nesta segunda-feira, 1, e mira o mercado negro de produtos difíceis de encontrar nas prateleiras ou que são vendidos com altos impostos para proteger o monopólio estatal sobre a venda de bens importados.

As medidas oneram os cubanos proprietários de pequenos negócios, como restaurantes e salões de beleza, que dependem de viajantes que chegam ao país com os produtos. "Ninguém gosta disso, as pessoas estão revoltadas", disse Silvio Madero, cubano-americano de Homestead, no Estado da Flórida, EUA, que visitou sua família cubana seis vezes nos últimos quatro anos levando produtos em todas as ocasiões.

"Este país precisa de dinheiro entrando e com estas regras isso não vai acontecer. Eles deveriam deixar os bens de consumo entrarem para podermos ajudar nossos familiares e amigos". No Aeroporto Internacional de Miami, é comum ver cubanos e cubano-americanos pegando voos fretados com grandes televisores, pneus de bicicleta e uma infinidade de itens escassos na ilha.

A medida do governo para desacelerar o comércio aumenta as tarifas sobre o preço das embalagens enviadas pelo correio e de produtos populares como Tvs - a maioria passa a custar US$ 100 a mais. Com a medida, a tarifa de uma TV de 32 polegadas passa a ser US$ 250, para TVs entre 32 e 42 polegadas, US$ 400 e para modelos maiores, US$ 500.

Alguns cubanos e cubano-americanos ganham a vida como "mulas", transportando bens em viagens de avião, outros até concordam em levar a bagagem adicional em troca da passagem. Esses caixeiros viajantes são o novo alvo da alfândega e os bens serão confiscados.

Depois das reformas econômicas iniciadas pelo presidente Raúl Castro, os cubanos podem administrar pequenos restaurantes, salões de beleza, hospedarias, serviços de transporte e vários outros negócios, mas não há um mercado atacadista, o que obriga os empreendedores a importar por meio de viajantes de avião ou pelas lojas varejistas do governo, onde pagam um mínimo de 240% de impostos.

As novas regras também são mais uma tentativa de suprimir o mercado privado de roupas. Antes, as pessoas podiam levar 40 pares de calças para a ilha, com a medida o limite ficou em 20. Restrições semelhantes foram impostas sobre meias-calça, meias soquete, blusas, sapatos e outros itens. / REUTERS