AFP PHOTO / YAMIL LAGE
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Cuba diz que suspensão de vistos dos EUA está prejudicando famílias

Relação bilateral está mais tensa depois que Trump se tornou presidente dos EUA e reverteu em parte a reaproximação da era Obama

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 16h03

HAVANA - O governo de Cuba informou a autoridades de alto escalão dos Estados Unidos, durante conversas sobre migração realizadas em Havana na segunda-feira,11, que a decisão norte-americana de suspender a emissão de vistos em sua embaixada na ilha está “prejudicando seriamente” relações familiares e outros tipos de contatos.

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As relações entre os ex-inimigos da Guerra Fria ficaram mais tensas depois que Donald Trump se tornou presidente dos EUA e reverteu em parte a reaproximação vista durante o governo de seu antecessor, Barack Obama.

Em setembro, depois de alegações de incidentes que afetaram a saúde de seus diplomatas em Havana, Washington deixou uma equipe mínima em sua embaixada, o que resultou na suspensão de quase todo o processamento de vistos.

“A delegação cubana expressou grande preocupação com o impacto negativo que as decisões unilaterais, infundadas e politicamente motivadas adotadas pelo governo dos EUA... têm nas relações migratórias entre os dois países”, disse o Ministério das Relações Exteriores de Cuba em um comunicado.

O comunicado foi emitido depois que delegações lideradas pela diretora de Assuntos dos EUA da chancelaria cubana, Josefina Vidal, e o vice-secretário de Estado assistente norte-americano para o hemisfério ocidental, John Creamer, se reuniram para debater questões de migração.

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Muitos cubanos disseram terem ficado desolados por não poderem visitar ou estar com seus entes queridos. Embora Cuba tenha uma população de 11,2 milhões de habitantes, existem estimados 2 milhões de cubano-norte-americanos nos EUA. O governo Trump também emitiu um veto a viagens para o país vizinho, e em outubro expulsou 15 diplomatas cubanos de Washington. 

A chancelaria cubana disse que isso “afetou seriamente o funcionamento da missão diplomática, particularmente o consulado e os serviços que oferece a cubanos morando nos Estados Unidos”.

A decisão norte-americana de cancelar as visitas de delegações oficiais a Cuba também está tendo um “efeito contraproducente” na cooperação em áreas como a migração, afirmou a pasta.

Do lado positivo, durante as conversas as delegações dos dois países comentaram a redução da imigração cubana ilegal rumo aos EUA em resultado de medidas anteriores que visaram a normalização das relações.

Obama, que anunciou a distensão com Cuba quase três anos atrás, eliminou uma política que concedia residência automática a virtualmente todos os cubanos que chegassem ao solo de seu país em janeiro, pouco antes de deixar o cargo. / REUTERS

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