Cuba enfrenta pior crise desde queda da União Soviética

No ano que marcaria a celebração de 50 anos da revolução em Cuba, apenas os cartazes com os rostos dos líderes de 1959 distribuídos por Havana dão um tom de festa. No restante da cidade, há ruínas e uma população impaciente por mudanças.

AE, Agencia Estado

22 Novembro 2009 | 07h43

Havana hoje enfrenta a pior crise desde o chamado Período Especial - momento, nos anos 90, que marcou o fim dos subsídios de até US$ 4 bilhões que a ilha recebia anualmente da ex-União Soviética. Oficialmente, o PIB que, este ano, cresceria 6,7% terá uma alta de apenas 1,7%. Tudo isso a partir de um ano marcado por perdas de US$ 10 bilhões por causa dos furacões.

A crise pode não ter surgido em Cuba, mas demonstrou que mesmo um regime comunista e sob embargo está vulnerável às forças do mercado. As exportações cubanas em 2009 sofreram uma queda de 36%. Os lucros das poucas empresas estrangeiras instaladas no país - como os hotéis - estão sendo bloqueados pelo governo. Mais de um milhão de cubanos vive nos EUA. Eles são responsáveis por remessas volumosas a seus familiares que ficaram em Cuba, que neste ano, devem cair 9% com a crise e desemprego nos EUA.

No setor estatal, o governo fala pela primeira vez em demissão de trabalhadores. Um dos rumores é de que um novo pacote seja anunciado ainda em dezembro, promovendo cortes nos gastos públicos e uma redução de até 10% dos trabalhadores de indústrias.

Para membros do governo, o discurso é o de eterno otimismo. Mas economistas alertam que o governo pode estar usando a crise para justificar problemas estruturais. Ao todo, 89 mil trabalhadores do setor agrário estão sem emprego porque simplesmente não há para quem vender o que se planta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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