De la Rúa queria ter imagem "resplandecente"

O presidente Fernando De la Rúa admitiu nesta terça-feira que gostaria de ter "uma imagem muito melhor e resplandescente". A expressão deste desejo ocorreu depois que o presidente foi informado de uma pesquisa da Consultoria Jorge Giacobbe e Associados, que indicou que 67% dos argentinos se arrependeram de ter votado em De la Rúa nas eleições presidenciais de 1999, considerando essa escolha "um erro". Resignado, De la Rúa confessou que a população está com "necessidades econômicas urgentes". No entanto, o presidente desculpou-se pela atual crise econômica, culpando a "difícil" herança recebida de seu antecessor, o ex-presidente Carlos Menem. "As pessoas deveriam saber das dificuldades que recebi", lamentou o presidente. Segundo De la Rúa, "todo governo precisa de tempo para desenvolver sua ação e superar os graves problemas". De la Rúa está no poder há um ano e meio. O presidente reuniu-se com seu gabinete para analisar a Lei de Crédito Público, que implica colocar a arrecadação tributária como garantia dos títulos públicos. De la Rúa admitiu que o projeto que será debatido no Congresso nos próximos dias "gera muitas dúvidas" e é "polêmico". Os governadores do Partido Justicialista (mais conhecido como "Peronista"), da oposição, começaram nesta terça à noite uma reunião para analisar a Lei de Crédito Público. Pouco antes do encontro, definiram que concordariam com a lei, enquanto ela não atingir a distribuição de verbas federais para as províncias, a maioria das quais passa por graves problemas financeiros. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, afirmou que os efeitos de suas medidas "pró-competitivas" começarão a ser sentidos daqui a dois anos em toda a economia. Segundo Cavallo, essas medidas (que já começaram a ser aplicadas nos setores de produção de bens de capital, exportação de carne, têxteis, vestimentas e calçados) vão "aumentar as exportações e recuperar os investimentos". A esposa de Cavallo, Sônia, rechaçou as críticas sofridas ultimamente por seu marido e declarou que "ele é um patriota" e que, quando tomou posse do ministério, "as pessoas estavam pedindo que ele segurasse o rojão da economia". Segundo ela, por causa do excesso de trabalho para domar a crise, seu marido "quase não dorme".

Agencia Estado,

15 Maio 2001 | 23h42

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