REUTERS/Juan Medina
REUTERS/Juan Medina

De Miami a Madri, diáspora venezuelana se mobiliza contra Maduro 

Com estações de votação improvisadas em mais de 80 países, expatriados procuraram deslegitimar os planos de Maduro para de reescrever Constituição

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2017 | 17h10

MADRI - Migrantes venezuelanos que fugiram da crise econômica e do crime desenfreado em sua terra natal votaram neste domingo, 16, em dezenas de cidade pelo mundo em um plebiscito não oficial com o objetivo de desafiar o presidente Nicolás Maduro. 

Com estações de votação improvisadas em mais de 80 países, a diáspora venezuelana procurou deslegitimar os planos de Maduro para de reescrever a Constituição, em uma Assembleia Constituinte, após três meses de uma onda de protestos contra o governo que já deixou quase 100 mortos. 

Filas se formaram em vários blocos onde as urnas foram montadas para os expatriados em locais como Miami, Madri, Bogotá. Venezuelanos compareceram com bandeiras e gritando palavras de ordem como "queremos liberdade!". 

"Com esse voto, queremos dizer a Maduro que a Venezuela não pode esperar. Queremos eleições agora. As pessoas querem ele fora", disse Audrey Lopez, de 49 anos anos, uma das voluntárias em uma estação de votação na capital espanhola. 

"Há quatro anos não volto para a Venezuela. O que eu economizo de dinheiro eu envio para minha família em comida, remédios ou produtos de higiente porque eles não podem comprar ou porque é muito caro ou porque simplesmente não existe lá", disse ela. 

Mitzy Capriles, mulher do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma que atuamente está em prisão domiciliar acusado de conspiração, também votou em Madri. Em Roma, votou o pai do proeminente líder opositor Leopoldo López.  

"Hoje nós nos reunimos pacificamente para enviar uma mensagem clara que o governo venezuelano precisa ouvir, para que ele abra os olhos e veja o que está acontecendo e o que o povo da Venezuela quer", afirmou Lepoldo López pai. 

Na América Latina, onde milhares de migrantes venezuelanos estão se espalhando, eleitores participaram da capital andina de Quito ao ensolarado Rio de Janeiro. 

 

Nova diáspora. Dados oficiais sobre a quantidade de venezuelanos que já deixaram o país não são precisos. O sociologista Tomas Paez estima algo em torno de 2 milhões os que emigraram desde que Hugo Chávez chegou ao poder em 1999 e o ritmo tem aumentado sob o governo Maduro, ainda que defensores do governo questionem esses dados. Paez, que vive em Caracas, tem publicado relatórios e livros sobre migração. 

Apelidada de 'Venezuela Saudita' nos anos 70 e uma vez grande atrativo para imigrantes europeus, esse país da Opec está agora repleto de festas de despedida e filas para passaportes ou vistos do lado de fora das embaixadas na capital, Caracas. 

Membros do governo frequentemente ridicularizam os venezuelanos que foram embora se referindo a eles como elitistas, como são taxados os cubanos exilados na Flórida. 

Enquanto os primeiros da diáspora eram originários, em sua maioria, da classe média, recentes imigrantes são geralmente das classes menos favorecidas economicamente prejudicados pelo colapso da moeda local Bolívar. 

Expatriados têm se mobilizado em massa nas últimas eleições presidenciais, até mesmo viajando de ônibus de Miami para New Orleans (23 horas de viagem) para depositar seu voto contra o atual governo chavista. 

"Desde que deixei a Venezuela, em 2002, eu sabia que o país poderia piorar com esse regime, e o tempo tem provado que eu estava certo, mas estou otimista sobre voltar para a Venezuela", disse o engenheiro Juan Sansiviero, um ex-empregado da estatal do petróleo PDVSA, que votou hoje em Katy, Texas.

Maduro disse que o plebiscito é ilegal e não tem sentido. Ele está fazendo campanha para uma votação oficial no dia 30 de julho para a nova Assembléia Legislativa, que poderá reescrever a Constituição e dissolver instituições estatais. / REUTERS 

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