AP Photo/Martin Meissner
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De olho em 4º mandato, Merkel apoia veto total a burka na Alemanha

Chanceler energiza base conservadora e é eleita líder de seu partidário; ela também prometeu posição mais rígida com imigração

O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 17h14

ESSEN, ALEMANHA - Angela Merkel defendeu sua postulação a um quarto mandato como chanceler da Alemanha nesta terça-feira, 6, tentando energizar sua base conservadora com um pedido de proibição de véus muçulmanos de rosto inteiro, a burka, e a promessa de uma posição mais rígida com a imigração após um influxo recorde de refugiados no país.

Falando em um congresso de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), em Essen, cidade do "cinturão da ferrugem" do oeste onde conquistou a liderança partidária 16 anos atrás, Merkel procurou se apresentar como uma garantia de estabilidade em um mundo incerto.

A reunião ocorreu um mês depois de Donald Trump ser eleito como presidente dos Estados Unidos e em um momento no qual a Europa reage a um surto de populismo e à decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

Merkel já foi descrita como a última guardiã dos valores democráticos ocidentais, uma sugestão que ela rejeitou.

"Vocês precisam me ajudar", disse ela em um apelo apaixonado a mil delegados do CDU. "Ninguém, nem uma pessoa com grande experiência, pode mudar as coisas para melhor na Alemanha, na Europa, no mundo mais ou menos por conta própria – certamente não uma chanceler da Alemanha".

Mais tarde, ela foi reeleita como chefe do partido por 89,5% dos delegados presentes – menos que os 96,7% de dois anos atrás.

Em novembro, a líder mais poderosa da Europa anunciou que irá concorrer a um quarto mandato no próximo outono alemão – um feito só realizado por dois chanceleres no pós-guerra, Konrad Adenauer e Helmut Kohl, ambos da CDU.

A decisão de Merkel de permitir o influxo de imigrantes no ano passado afetou sua popularidade, desencadeou uma luta prejudicial com seus aliados bávaros e levou a uma intensificação no apoio ao partido anti-imigrante e eurocético Alternativa para a Alemanha (AfD). Acredita-se que a legenda conquistará suas primeiras cadeiras no Parlamento federal no ano que vem.

Reconhecendo tais problemas, Merkel iniciou seu discurso com a promessa de não permitir uma repetição da leva imigratória de 2015, quando quase 900 mil imigrantes entraram na Alemanha, e foi ovacionada quando disse que o véu muçulmano de rosto inteiro não é compatível com a cultura alemã.

"Aqui nós dizemos 'mostre seu rosto'. Então o véu inteiro não é apropriado aqui. Ele deveria ser proibido onde quer que seja legalmente possível", afirmou no discurso de uma hora e quinze minutos, seguido de 11 minutos de aplausos. Um ano atrás, o CDU rejeitou tal proibição. / REUTERS 

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