EFE/Chris Kleponis
EFE/Chris Kleponis

Declaração de funcionário americano sobre Muro das Lamentações ofusca visita de Trump

Membro do grupo que está organizando viagem do republicano ao território israelense teria dito que Muro está localizado na Cisjordânia e não em Israel

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 12h00

JERUSALÉM - As relações entre Israel e a administração de Donald Trump ficaram tensas de forma súbita e inesperada pouco antes da visita do presidente americano, em razão de temas sensíveis como o Muro das Lamentações e a situação da embaixada americana.

A eventual transferência da representação diplomática americana de Tel Aviv para Jerusalém voltou ao centro da discussão sobre o status da cidade, uma das questões mais complicadas sobre o conflito israelense-palestino.

O mal-estar foi amplificado por declarações feitas, de acordo com a imprensa israelense, por um funcionário americano responsável por organizar a visita de Trump. Ele teria dito que o Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo, não está localizado em Israel, e sim na Cisjordânia, ou seja, em território palestino ocupado.

O status jurídico e diplomático de Jerusalém é um verdadeiro quebra-cabeça. Israel considera toda a cidade como sua capital indivisível, incluindo, portanto, o lado palestino (Jerusalém Oriental), que ocupou em 1967 e anexou em 1980. Os palestinos querem estabelecer em Jerusalém Oriental a capital do Estado a que aspiram.

O status de Jerusalém definido por Israel não é reconhecido pela ONU, que considera Jerusalém Oriental como território ocupado.

Donald Trump, esperado no dia 22 em Israel, prometeu durante sua campanha reconhecer Jerusalém como a capital do Estado israelense e transferir a embaixada de Tel Aviv, rompendo com o posicionamento adotado pelos EUA e pela comunidade internacional há décadas. Os palestinos e os países árabes alertam para as possíveis consequências de tal mudança.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, é confrontado pelas dúvidas sobre o seu desejo pessoal de ver a embaixada dos EUA migrar para Jerusalém.

Após as declarações do secretário de Estado americano, Rex Tillerson, no domingo - sugerindo que Netanyahu poderia não ver tal transferência com bons olhos -, um jornalista da Fox News tuitou que o premiê havia pedido a Trump para não mexer na questão neste momento. Em resposta, o gabinete de Netanyahu decidiu publicar as conversas privadas com Trump durante sua visita a Washington no dia 17 de fevereiro.

O Muro das Lamentações está localizado na Cidade Antiga, em Jerusalém Oriental. A política americana é a de não comentar sobre a soberania de Jerusalém, algo que deve ser parte de um acordo final entre palestinos e israelenses. A Casa Branca afirmou que os comentários atribuídos ao funcionário não refletem suas posições.

Visita. Donald Trump visitará Belém, nos territórios palestinos ocupados, em sua primeira viagem ao exterior, durante a qual fará escalas na Arábia Saudita, Israel e Vaticano, segundo seu conselheiro de Segurança Nacional, o general H.R. McMaster.

Ao término da primeira etapa de sua viagem, Trump participará da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas no 25 de maio, e do G7 em 26 e 27 de maio. O mandatário também pronunciará um discurso sobre o Islã durante sua visita à Arábia Saudita, que abriga os lugares mais sagrados dessa religião.

"Ele se reunirá e almoçará com líderes de mais de 50 países muçulmanos, onde pronunciará um discurso direto e inspirador sobre a necessidade de enfrentar a ideologia radical e as esperanças do presidente de uma visão pacífica do Islã", disse McMaster a jornalistas.

Embaixador. O novo embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, apresentou nesta terça-feira, 16, suas credenciais ao presidente israelense, Reuven Rivlin.

Defensor declarado da colonização israelense em territórios palestinos, ele também defendeu a transferência da embaixada. Mas, durante a cerimônia de posse não quis alimentar as discussões, incluindo a questão sobre o Muro diante do qual orou assim que chegou a Israel na segunda-feira.

Ele prometeu "apoiar o Estado de Israel de todas as formas possíveis". Quanto a Trump, "seu amor e compromisso em favor de Israel são sólidos como rocha e a sua maior prioridade", disse. / AFP

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