Stephan Jansen/Efe
Stephan Jansen/Efe

Declaração de Nobel alemão provoca revolta de israelenses

Escritor alemão Günter Grass disse, em poema, que Estado judeu é 'ameaça à paz mundial'

Viviane Vaz / ESPECIAL PARA O ESTADO / JERUSALÉM,

04 Abril 2012 | 21h46

JERUSALÉM - Prêmio Nobel de Literatura, o escritor alemão Günter Grass causou revolta em Israel ao afirmar que o Estado judeu é "uma ameaça à paz mundial" em um poema publicado nesta quarta-feira, 4, no jornal Süddeutsche Zeitung.

 

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Vozes exaltadas na imprensa israelense recordaram o passado nazista de Grass. O escritor nascido na atual Gdansk confessou em 2006 que se alistou com 17 anos em uma divisão blindada da Waffen-SS, o aparelho militar das SS – a guarda pretoriana do Estado nazista. Grass diz ter rompido o silêncio sobre Israel porque, apesar de sua biografia ser marcada por um "estigma indelével", está "envelhecido" e quer usar "sua última tinta" para denunciar a ameaça israelense à paz mundial. "Israel, potência nuclear, põe em perigo uma paz mundial já por si só quebradiça? Porque é preciso dizer o que amanhã pode ser muito tarde e porque, suficientemente incriminados como alemães, poderíamos ser cúmplices de um crime que é previsível", escreve o Nobel.

Hermann Grohe, secretário-geral da União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, disse ter ficado "horrorizado" com o poema de Grass. "O escritor sabe que o Irã questiona o próprio direito à existência do Estado de Israel", disse, completando que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, "nega o Holocausto".

O embaixador israelense em Berlim, Emmanuel Nahshon, contra-atacou: "Os judeus costumavam ser acusados na Europa de usar sangue de crianças para fazer matzá (pão ázimo consumido na Páscoa judaica). Agora é o povo iraniano que o Estado judeu quer apagar de propósito", ironizou Nahshon.

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