Timothy D. Easley/AP
Timothy D. Easley/AP

Deputado americano comete suicídio após ser acusado de assédio sexual

Dan Johnson era deputado estadual no Kentucky e se atirou de uma ponte após mulher ter denunciado que o político teria abusado sexualmente dela em 2012

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 09h26

WASHINGTON - O deputado estadual do Kentucky (Estados Unidos) Dan Johnson cometeu suicídio na quarta-feira, 14, dias após ser acusado de assédio sexual por uma mulher que no momento dos supostos fatos era menor de idade. 

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Johnson se jogou de uma ponte de Mount Washington, perto de Louisville, de acordo com o xerife do Condado de Bullitt, Donnie Tinnell, em entrevista à emissora de TV local WDRB.

Johnson era um polêmico pastor evangélico que foi eleito para a Câmara dos Representantes do Kentucky em 2016, como republicano. Durante sua campanha, comparou o então presidente, Barack Obama, e a primeira-dama, Michelle Obama, com primatas.

Johnson foi acusado na última segunda-feira por uma mulher de tê-la beijado e manuseado sem o seu consentimento durante a noite de Réveillon de 2012, quando ela tinha 17 anos.

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No dia seguinte, durante uma entrevista coletiva no altar de sua igreja em Louisville, Johnson negou as acusações. Antes de se matar, Johnson publicou uma mensagem em sua conta do Facebook. Ele dizia que já não podia controlar o transtorno por estresse pós-traumático, que segundo ele, sofria desde os atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

"O transtorno por estresse pós-traumático 24/7 (24 horas ao dia, 7 dias por semana) durante 16 anos é uma doença que me matará, já não posso controlar mais", disse Johnson, pedindo a Deus que cuidasse de sua esposa, Rebecca.

De acordo com explicações do xerife Tinnell, Johnson foi até uma ponte sobre o rio Salt, em Mount Washington, parou em uma extremidade e se atirou ali mesmo.

Dezenas de mulheres e alguns homens encorajados pelo movimento "Me too" ("Eu também") denunciaram nos últimos meses terem sido vítimas de abuso ou assédio sexual.

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Outros casos. No início de dezembro, o senador democrata Al Franken anunciou sua renúncia, curvando-se à pressão dos colegas de partido após ser acusado de beijar e tocar pelo menos oito mulheres sem consentimento.

Franken, de 66 anos, um ex-comediante que foi visto como uma estrela em ascensão no Partido Democrata, disse no plenário do Senado que deixará o Congresso em algumas semanas. Franken é um dos vários americanos proeminentes na política, mídia e entretenimento a ser acusado nos últimos meses de assédio sexual e má conduta. 

No início do mês, outro congressista democrata, John Conyers, anunciou que não tentará a reeleição nas eleições de 2018, após mais de 50 anos no Legislativo por uma série de acusações de abuso sexual.

Falando de um hospital onde estaria se tratando de complicações relacionadas ao estresse, o mais antigo membro do Congresso garantiu que as denúncias "não são verdadeiras" e não podia explicar sua origem. 

As mulheres representam, hoje, 20% dos membros do Legislativo dos Estados Unidos. Há 20 anos, eram apenas 12% e, há 30, representavam 5%. / EFE e AFP

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