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AP Photo/Christian Bruna

Deputados do Parlamento europeu criticam UE por acordo migratório com Ancara

Projeto de tratado alcançado com a Turquia tem o objetivo de expulsar os refugiados que chegam à Grécia a partir do território turco

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O Estado de S. Paulo

09 Março 2016 | 16h10

ESTRASBURGO, FRANÇA - O princípio de acordo alcançado na segunda-feira entre os líderes da União Europeia e da Turquia para frear o fluxo de imigrantes para o bloco foi duramente criticado na Eurocâmara, onde se censurou o fato de ele "entregar as chaves da porta da Europa" ao presidente Recep Tayip Erdogan.

Da direita e da esquerda, ecologistas, liberais e populistas, os deputados do Parlamento europeu, reunidos no plenário em Estrasburgo, no leste da França, criticaram em um debate o projeto de acordo alcançado com Ancara, que visa a expulsão dos refugiados que chegam à Grécia a partir da Turquia.

"Não nego que precisemos de acordos práticos e técnicos com a Turquia para enfrentar a situação, mas isso não é um acerto prático ou técnico, é um acordo com a Turquia no qual nossos problemas são terceirizados", afirmou o chefe da bancada dos liberais, Guy Verhofstadt. "É um acordo com o qual estamos colocando as chaves da porta de entrada da Europa nas mãos da Turquia, dos sucessores do Império Otomano, de Erdogan, ou melhor, do sultão Erdogan", acrescentou.

Os dirigentes europeus e turco estabeleceram como prazo até a cúpula prevista para quinta e sexta-feira para finalizar o acordo, que incluirá a expulsão dos refugiados que entrarem ilegalmente na Grécia, e a União Europeia se comprometerá a readmitir a entrada em seu território por uma via legal de refugiados que se encontram nos acampamentos turcos.

Com esta medida da Turquia para frear a chegada de migrantes, que desestabiliza politicamente a União Europeia, Ancara receberá uma ajuda adicional de 3 bilhões de euros, cifra igual à acertada em novembro.

Além disso, os turcos que viajarem para a União Europeia serão submetidos a um regime de vistos mais flexível a partir de junho e serão aceleradas as negociações para a adesão da Turquia ao bloco.

Com relação às exigências, Manfred Weber, presidente do grupo PPE (de direita), pediu para que não se dê "um cheque em branco" a Ancara e classificou como inaceitáveis as violações à liberdade de imprensa na Turquia.

"Não se pode misturar diálogo sobre refugiados com as negociações sobre a adesão à UE", sentenciou, por sua vez, o líder da bancada socialista, Gianni Pittella. Já o vice-presidente do grupo dos Verdes, Philippe Lamberts, criticou o que chamou de fracasso moral. "Botamos o tapete vermelho para um regime que amordaça a imprensa (...) e bombardeia sua população", afirmou, aludindo ao conflito curdo.

"Este acordo supõe uma guinada brutal na estratégia de gestão da crise dos refugiados; decidimos, na realidade, subcontratar o direito de asilo que, na prática, acaba com ele", comentou a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, a socialista Elena Valenciano.

A sessão parlamentar também foi marcada por comentários racistas de um eurodeputado grego do Amanhecer Dourado, Eleftherios Synadinos. Ele foi expulso das discussões pelo presidente do Parlamento Martin Schulz após insultar os turcos, afirmando que, "como descrevem os letrados otomanos: o turco é um bárbaro de espírito, blasfemador, obtuso e sujo; o turco é como um cão: se faz de feroz mas quando tem de enfrentar um adversário, foge". /AFP

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