Desaceleração afetará crescimento brasileiro

A desaceleração da economia mundial, ampliada pelos atentados nos Estados Unidos, que completam hoje um mês, vai afetar ainda mais o crescimento brasileiro, avalia Flávio Castelo Branco, coordenador de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo sua avaliação, o crescimento do PIB neste e no próximo ano atingirão, no máximo, 2% ao ano. E se houver crescimento, ressalta ele, lembrando que o mercado de trabalho vai sentir o impacto. ?Pode não apresentar um aumento na taxa de desemprego, mas não vai acontecer aumento de contratações. É aí que a crise chega ao consumidor, que não tem a segurança do emprego e não sabe se poderá consumir?, afirma . A boa notícia, diz Castelo Branco, é que a inflação não está pressionada, ?mesmo com a taxa de câmbio alta, porque a economia está desaquecida?. Na visão dele, a única forma de o País crescer é baixar os juros para tentar reativar a economia. ?Nossos juros reais (taxa básica descontada a inflação) são os maiores do mundo?, disse. Segundo ele, o Brasil pode ter um alento se os investimentos internacionais aumentarem. ?Com câmbio atual, 40% desvalorizado em relação a janeiro, ficou muito mais barato investir aqui. O Brasil ainda é atrativo?, disse. O problema, segundo ele, é que há uma menor disponibilidade de recursos externos e, por isso, os investimentos no Brasil devem cair no próximo ano. ?Tinha gente projetando investimentos de US$ 18 bilhões a US$ 20 bilhões. Agora já estão revendo para algo em torno de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões?, disse. ?Se não tivermos bastante aporte externo teremos dificuldades para financiar nossa conta corrente e a rolagem de bônus e títulos da conta de capital?, continuou. Na visão do coordenador de política econômica da CNI, os Estados Unidos devem começar a se recuperar no primeiro trimestre do ano que vem. ?A política expansionista deve dar resultados nos primeiros meses de 2002. Toda vez que os EUA se envolvem em guerra a economia cresce?, lembrou. O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Roberto Faldini, avalia que situação de recessão mundial? deve continuar por mais algum tempo, ?enquanto não houver uma recuperação nas economias da Europa, Ásia, Estados Unidos e também Argentina?. ?A melhor recomendação para um momento como esse é a prudência?, disse. Na opinião de Faldini, depois dos atentados terroristas e da guerra as relações entre os países vão certamente se modificar. ?Talvez haja uma aceleração da integração entre os países, com os mais desenvolvidos ajudando os em desenvolvimento a diminuir sua pobreza?, disse. Faldini acredita que boa parte dos acontecimentos internacionais de hoje se deve ao fato da desigualdade entre os países ricos e os pobres. Exportação O diretor de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, Maurice Costin, ressaltou que as exportações brasileiras já estão mais caras depois dos bombardeios ao Afeganistão. ?Cada contêiner está cerca de R$ 500,00 mais caro, por conta de aumento do seguro, taxa de risco e do transporte?, afirmou. Segundo ele, quando a exportação é para países mais próximos aos conflitos, esses custos podem subir ainda mais. Pelo fato de o Brasil ficar numa região de pouco risco, Costin acredita que num futuro próximo os investidores internacionais devem voltar a colocar dinheiro no País. ?O capital procura primeiro evitar qualquer tipo de risco, por isso o Brasil é atrativo. Mas isso não elimina a necessidade de fazermos a lição de casa, como diminuir o Custo Brasil?, disse. A Economia Um Mês Depois dos Atentados nos EUA - Índice

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 10h05

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