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Dezenas de milhares protestam nas ruas por democracia em Hong Kong

NIKKI SUN E ADAM ROSE - REUTERS

01 Julho 2014 | 12h 32

Dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia saíram às ruas de Hong Kong nesta terça-feira, muitos pedindo a destituição do líder da cidade, no que pode ter sido o maior e mais entusiástico desafio ao governo do Partido Comunista Chinês em mais de uma década.

O executivo-chefe de Hong Kong, Leung Chun-ying, disse que seu governo iria "fazer o máximo" para seguir no rumo do sufrágio universal e enfatizou a necessidade de estabilidade, depois que quase 800.000 pessoas votaram a favor da plena democracia em um referendo não oficial.

A polícia arrastou vários manifestantes quando multidões forçavam a passagem contra barricadas. Autoridades policiais criticaram depois os organizadores do protesto anual, geralmente pacífico, alertando que podem ser adotadas medidas legais por eles terem ignorado as instruções da polícia.

Ativistas da Liga dos Social-Democratas queimaram uma cópia de um "Livro Branco", lançado por Pequim no mês passado, que reafirmava a autoridade do governo central sobre a ex-colônia britânica. O grupo também queimou um retrato de Leung.

"Esta pode ser a última chance de fazer as nossas vozes serem ouvidas", disse no final da marcha Lam Sui-pan, de 22 anos, um ativista pró-direitos humanos. Veterano dos últimos cinco protestos, ele afirmou que nunca tinha visto uma afluência tão grande. "Isso demonstra a nossa determinação para uma democracia plena."

Com milhares de pessoas se reunindo em Hong Kong para exigir mais democracia e liberdade do controle de Pequim, a guarnição militar da China estacionada nesse centro capitalista independente lançou sua própria ofensiva: encantar os manifestantes.

EXÉRCITO

O Exército da Liberação Popular (ELP), as forças armadas da China sob controle do Partido Comunista, ofereceu aos visitantes uma rara amostra da vida no quartel em três —entre mais de dez— bases espalhadas nessa densamente povoada ex-colônia britânica, como parte de dois dias abertos ao público no domingo e nesta terça-feira.

“Eles nunca deixaram estrangeiros entrar, então pensei que aproveitaria a oportunidade para vir quando permitissem visitantes, para ver o que meus vizinhos estão fazendo”, disse um turista australiano que vive perto do quartel de Shek Kong, em um local calmo de Hong Kong.

Esta terça-feira, que marca o 17º aniversário do retorno de Hong Kong ao domínio da China, é um dia tradicional de protestos pacíficos de rua. A marcha deste ano acontece em meio a tensões mais acirradas com o governo em Pequim, com ativistas pró-democracia prometendo uma campanha de desobediência civil se a China não permitir uma “votação genuína” para o próximo líder de Hong Kong em 2017, no que seria a primeira eleição do tipo na China.

O governo chinês considerou ilegal tanto a campanha de desobediência civil, que ainda não começou, quanto a realização de um referendo não oficial sobre democracia —que atraiu quase 25 por cento de eleitores registrados —, aumentando receios de que o governo possa intervir.

Diversas autoridades atuais e aposentadas da China alertaram nos últimos meses que Pequim está preparada para liberar os militares presentes em Hong Kong para lidarem com quaisquer protestos nas ruas. Alguns ativistas temem que o governo chinês recorra a atos de violência nas ruas como desculpa para trazer seu Exército.

(Reportagem adicional de Sarah Charlton e Stefanie McIntyre)