Diálogo pode ser retomado no Oriente Médio

Funcionários israelenses e palestinos comentaram haver expectativas de que as negociações de paz sejam retomadas dentro de alguns dias, mas a agenda de discussões continua em debate após duas rodadas de mediação por parte dos Estados Unidos. O ministro israelense de Relações Exteriores, Shimon Peres, avisou nesta segunda-feira que as negociações, que ficaram efetivamente congeladas durante vários meses, deverão ser rapidamente retomadas para que seja aproveitado o momento da visita do novo enviado especial da Casa Branca, William Burns. "Do nosso ponto de vista, as reuniões podem ser iniciadas entre nossos oficiais de segurança e os deles amanhã (terça-feira) à noite mesmo", disse Peres à TV Israel. O ministro palestino do Planejamento, Nabil Shaath, também disse que as negociações poderiam ser retomadas dentro de alguns dias, mas ele diz que questões políticas também deverão ser debatidas nas conversações. Ele informou que os palestinos querem o reinício das negociações com base em um plano de implementação de propostas internacionais para o fim de oito meses de violência e a retomada do diálogo de paz. As declarações foram feitas depois de o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, e o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, terem participado de reuniões separadas com Burns. Israel quer retomar as negociações com os palestinos apenas na área da segurança, enquanto a AP busca a inclusão da questão política no diálogo. Sharon insiste em só retomar o processo de paz depois que cessarem os conflitos. Não ficou claro se as esperadas reuniões incluirão outros temas, além da segurança. Pela manhã, Burns reuniu-se com Arafat, em Ramallah, na Cisjordânia, e à noite encontrou-se em Jerusalém com Sharon. Arafat chegou nesta segunda-feira à noite a Moscou, onde pedirá à Rússia maior participação no processo de paz. Peres, disse à tevê local que espera, com a retomada do diálogo em matéria de segurança, que comece a ser posta em prática a primeira etapa das recomendações da comissão liderada pelo senador americano George Mitchell. O Relatório Mitchell exortou as duas partes a interromperem a violência e a tomarem uma série de medidas para restabelecer a confiança mútua, entre as quais o congelamento das construções em assentamentos judaicos nos territórios ocupados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ações da AP para impedir ataques a alvos israelenses. O negociador palestino Saeb Erekat disse à imprensa que Arafat mostrou a Burns um mapa de 18 novas colônias judaicas erguidas nos territórios ocupados desde a chegada de Sharon ao poder, em março. Em oito meses de intifada (levante), morreram 478 pessoas do lado palestino e 85 do israelense. Nesta segunda-feira, o menino palestino Mohammed Aou Samhadana, de sete anos, foi ferido numa perna por disparos de soldados israelenses contra o povoado de Morag, no sul da Faixa de Gaza. Segundo a AP, blindados e buldôzeres israelenses adentraram cerca de 200 metros num setor autônomo palestino a leste da cidade de Gaza e destruíram árvores e plantações. O Exército de Israel não comentou a ação. A polícia israelense desativou nesta segunda-feira um potente explosivo em Bat Hefe, a oeste da cidade de Hadera, informou a rádio militar. O grupo fundamentalista islâmico Jihad islâmica assumiu a autoria de vários atentados recentes, entre os quais o de sexta-feira ao sul de Haifa e outro no domingo, e anunciou estar preparado para lançar novos ataques suicidas.

Agencia Estado,

28 Maio 2001 | 23h29

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