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Dilma anuncia comissão da Unasul para tentar mediar crise na Venezuela

Lisandra Paraguassu, Enviada Especial / Viña del Mar, Chile

11 Março 2014 | 11h 05

Reunião do bloco regional, em Santiago, definirá formação de grupo de negociadores para tentar encontrar uma saída para a crise que já deixou 23 mortos

(Atualizada às 23h) VIÑA DEL MAR, CHILE - Uma reunião da União das Nações Sul-Americanas, em Santiago, definirá na quarta-feira, 12, a formação de uma comissão de mediadores para ajudar a Venezuela a encontrar uma saída para a crise que já deixou 23 mortos em protestos que exigem a saída do presidente Nicolás Maduro. A presidente Dilma Rousseff anunciou na terça-feira, 11, a formação do grupo, que marca um avanço diante da resistência inicial de Caracas em aceitar negociadores.

O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua, mostrou mais disposição para aceitar a ideia. "Os presidentes deram um mandato a seus chanceleres para fazer uma reunião, criar uma comissão, que pode ser inclusive de todos os países da região, e fazer a interlocução pela construção de um ambiente de acordo, consenso e estabilidade na Venezuela", disse Dilma, em rápida entrevista em Viña del Mar, onde estava para a posse da presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Maduro rejeitou ofertas do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, do México, Enrique Peña Nieto, e até mesmo do presidente do Uruguai, José Mujica, com quem, ao contrário dos outros dois, tem afinidade ideológica. Dilma deixou claro que a comissão deverá ser um dos principais atos da reunião, em um indício de que, se a Venezuela quer apoio da região, terá de aceitar a mediação.

Questionado pelo Estado se a Venezuela era favorável à ideia de uma comissão para facilitar o diálogo, Jaua afirmou que "o diálogo já existe", mas que a Venezuela espera o apoio da Unasul para incrementar o diálogo que já está acontecendo com a "Conferência de Paz", reunião com a oposição convocada por Maduro. Os principais representantes da oposição, incluindo Henrique Capriles, da Mesa da Unidade Democrática, se recusaram a participar.

Apoio regional. A Venezuela ainda planeja passar aos demais países da Unasul, durante a reunião, a ideia de que o governo de Maduro está sob ataque e risco de sofrer um golpe. Jaua afirmou que vai "mostrar aos colegas da Unasul o processo de agressão ao povo e às instituições venezuelanas" e pedirá apoio. Ao justificar a ausência de Maduro - que cancelou sua ida à posse de Bachelet na madrugada de terça -, Jaua afirmou que o presidente venezuelano desistiu de viajar por enfrentar uma tentativa de golpe contra seu governo.

"O presidente está enfrentando uma tentativa de deposição de seu governo, mas já conseguimos neutralizá-la", garantiu Jaua. "Hoje, a estabilidade da América do Sul, do Caribe e de boa parte da América Central depende hoje da estabilidade da Venezuela."

O discurso do governo chavista tem apoio de parte dos países da região. "É preciso que fique claro que aquilo que está ocorrendo na Venezuela é uma tentativa de desestabilizar um governo legitimamente eleito", afirmou o presidente do Equador, Rafael Correa, ao sair da cerimônia de posse no Senado chileno.

"Sempre vamos procurar a manutenção da ordem democrática. Vocês vejam que quando houve o caso do presidente Lugo (Fernando Lugo, do Paraguai, que sofreu impeachment em 2012), tivemos um momento de estresse, hoje perfeitamente superado com a perfeita inclusão com o novo presidente eleito democraticamente, Horácio Cartes, ao Mercosul", afirmou Dilma.

No entanto, Brasil, e outros países, como o Chile, cobram um diálogo maior do governo venezuelano com a oposição. Em mais de uma ocasião, Dilma fez chegar a Maduro que não apoiaria a violência e as tentativas de golpe de nenhum lado.