1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Ao lado de Evo, Dilma diz que adesão da Bolívia ao Mercosul fortalece o bloco

- Atualizado: 02 Fevereiro 2016 | 13h 11

Essa é a primeira visita oficial do líder andino ao Brasil desde que a governante chegou ao poder, há pouco mais de cinco anos

Ao lado do presidente da Bolívia, Evo Morales, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil apoia de forma “firme” e “determinada” a adesão da Bolívia ao Mercosul e disse que ela aprofunda a integração sul-americana. “(A adesão) Ela confirma a atratividade do bloco, aumenta a atratividade do bloco, fortalece o propósito energético de eliminar barreiras comerciais”, disse.

No esforço de tentar ampliar as relações comerciais do Brasil, ontem a presidente recebeu o presidente da Bulgária, Rosen Plevneliev, e anunciou que os dois discutiram uma forma de agilizar o acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia.

O presidente boliviano, Evo Morales, e a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto 

O presidente boliviano, Evo Morales, e a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto 

Segundo a presidente, o Brasil dá seu respaldo ao objetivo do país vizinho em se transformar em centro energético internacional. “Evo e eu repassamos os principais temas da agenda bilateral”, disse a presidente, destacando a importância da integração energética. “O Brasil estimula e apoia o objetivo anunciado pelo presidente Evo de transformar a Bolívia em centro enérgico internacional”, disse.  

Ao destacar a importância enérgica da Bolívia para o Brasil, Dilma disse que o vizinho é “fundamental” e “estratégico”, mas ponderou que é preciso em ampliar o comércio entre os dois países. “Somos o primeiro destino das exportações bolivianas e o segundo maior fornecedor de produtos para o país”, afirmou. “É necessário, porém, aumentar e diversificar as nossas trocas para voltar a superar o patamar de US$ 5 bilhões de intercâmbio comercial.”

Dilma citou que hoje a Bolívia contribui com cerca de 30% da oferta de gás natural e afirmou que, mediante a novos investimentos, o vizinho deve ampliar seu potencial de produção e exportação e os dois países ainda podem ampliar parcerias. “Estabelecemos em 2015 o Comitê Binacional sobre energia para trabalharmos na identificação e desenvolvimento de novas oportunidades, como, por exemplo, o aproveitamento hidrelétrico conjunto do Rio Madeira”, afirmou. 

Segundo a presidente, há interesse do Brasil em avançar em projetos de infraestrutura que facilitem os fluxos entre os países, na América do Sul e nos mercados extrarregionais. “Abordamos e definimos o estudo e avaliação econômico-financeira do projeto do corredor ferroviário biocênico central, projeto complementar à ferrovia transcontinental”, citou a presidente. 

Dilma disse ainda que na conversa, os dois presidentes fizeram uma análise da conjuntura econômica internacional e seu impacto em países como Brasil e Bolívia e disse que abordou a necessidade de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus da dengue, do vírus chikungunya e do zika vírus. 

Em seu discurso, Evo citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao agradecer o apoio do Brasil para a economia da Bolívia. Em seguida, Dilma oferece a ele um almoço no Palácio Itamaraty, onde fizeram o tradicional brinde entre chefes de poder. No discurso do brinde, Dilma aproveitou para convidar o colega para visitar o Brasil durante os Jogos Olímpicos. 

Balança. Em 2015, as exportações brasileiras para a Bolívia caíram 8% (de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão). Já as importações tiveram queda de 34,3% (de US$ 3,8 bilhões para US$ 2,5 bilhões) em relação a 2014. O Brasil é o principal destino das exportações bolivianas, devido à venda do gás natural. Em 2015, os cinco principais mercados de destino das exportações bolivianas foram Brasil (28%), Argentina (17%), EUA (12%), Colômbia (7%) e China (5%), correspondendo a aproximadamente 70% das exportações globais da Bolívia.

Já as exportações brasileiras para a Bolívia são compostas basicamente de manufaturados (96,4% em 2015), com destaque para barras de ferro, betume de petróleo, condutores para uso elétrico, tratores, locomotivas, móveis de madeira, arroz, calçados e fungicidas. 

Visita oficial inédita. Essa é a primeira visita oficial do líder andino ao Brasil desde que a governante chegou ao poder, há pouco mais de cinco anos. Dilma assumiu a presidência em janeiro de 2011 e desde então teve vários encontros com Evo Morales à margem de cúpulas ou em outros foros. Os dois também estiveram nas respectivas cerimônias de posse, mas até agora ainda não haviam tido uma reunião oficial de trabalho bilateral como a de hoje. 

Mais tarde, as 15 horas, Dilma participa da sessão solene destinada a inaugurar a 2ª Sessão Legislativa Ordinária da 55ª Legislatura do Congresso Nacional, no Plenário da Câmara dos Deputados. Esta é a primeira vez que Dilma irá pessoalmente ao Congresso para entregar a mensagem presidencial, desde que assumiu o Palácio do Planalto, em 2011. O ritual geralmente é cumprido pelo ministro da Casa Civil e Dilma já exerceu essa tarefa em 2010, quando ocupou esse cargo, no governo Lula. 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX