Dilma e ex-presidente manifestam preocupação com Venezuela

Mujica e a presidentebrasileira discutiramsobre a crise econômica e política em Caracas durante almoço no sábado

MONTEVIDÉU, O Estado de S.Paulo

02 Março 2015 | 02h04

No último dia como presidente do Uruguai, José Mujica aproveitou no sábado um almoço com a presidente Dilma Rousseff para discutir a crise política na Venezuela. Segundo o Estado apurou, o assunto foi trazido à discussão pelo próprio Mujica e tanto ele quanto Dilma demonstraram preocupação com os últimos acontecimentos na região.

Dilma e Mujica conversaram na residência oficial de campo de Anchonera, depois de inaugurarem juntos o parque eólico de Artilleros. Em razão da crise na Venezuela - pela situação econômica, a prisão de opositores e a morte de um estudante durante protesto na semana passada -, o presidente Nicolás Maduro decidiu não comparecer à posse de Tabaré Vázquez.

Havia uma expectativa de que, com a presença de presidentes e chanceleres sul-americanos em Montevidéu, fosse realizada uma reunião para discutir o cenário venezuelano, o que não ocorreu.

A posse de Tabaré foi marcada pela ausência de Maduro, do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e pela breve passagem de Dilma, que não ficou para a transmissão de mandato presidencial.

Antes de embarcar de volta para o Brasil, Dilma se reuniu por 25 minutos com Tabaré, no Palácio Legislativo, após a sessão solene de compromisso de honra e declaração de fidelidade constitucional. "Não falamos de Venezuela, apenas da relação Brasil-Uruguai", disse Tabaré ao Estado.

Em entrevista ao jornal El País publicada na quinta-feira, Mujica demonstrou preocupação com a possibilidade de um golpe de Estado de militares da esquerda. "Com isso, a defesa democrática vai para o inferno. Seria um erro gravíssimo se desrespeitassem a Constituição", afirmou.

Na semana passada, o Itamaraty divulgou uma nota em que cobra o retorno do diálogo entre a oposição e o governo venezuelanos, demonstrando incômodo com decisões do governo de Nicolás Maduro, que mandou prender o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

"São motivos de crescente atenção as medidas tomadas nos últimos dias, que afetam diretamente partidos políticos e representantes democraticamente eleitos, assim como iniciativas tendentes a abreviar o mandato presidencial", disse a nota do Itamaraty. Ao receber no dia 20 as credenciais da nova embaixadora venezuelana, María Lourdes Urbaneja, Dilma disse que não poderia comentar "questões internas" da Venezuela.

Dieta. Durante o almoço com Mujica, Dilma resistiu à tentação da carne uruguaia e seguiu à risca a dieta Ravenna, que fez com que perdesse 15 quilos. Enquanto Mujica fez um prato abundante de espaguete com almôndegas, Dilma comeu só um pouco de carne. / R.M.M.

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