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Internacional

Dilma Rousseff

Dilma nega ter se omitido sobre crise venezuelana

Presidente chega hoje ao Equador, onde participa de reunião de cúpula da Celac, e deve pedir maior integração regional contra crise

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Vera Rosa - ENVIADA ESPECIAL / QUITO e Igor Gadelha - BRASÍLIA,
O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 02h00

Às vésperas de sua chegada a Quito para a 4.ª reunião de cúpula da Comunidade dos Estados Latino Americanos e Caribenhos (Celac), a presidente Dilma Rousseff negou, em entrevista ao jornal equatoriano El Comercio, que o Brasil tenha sido omisso em relação às crises política e econômica na Venezuela. 

Na entrevista, publicada no domingo, ela afirmou que o governo prega respeito ao resultado das últimas eleições parlamentares venezuelanas, quando a oposição ao presidente Nicolás Maduro conquistou maioria dos assentos no Legislativo.

“Tivemos tudo menos silêncio por parte do Brasil em relação à Venezuela. Acompanhamos com muita atenção os acontecimentos no nosso vizinho do norte, país irmão com o qual mantemos excelentes e sólidas relações”, disse Dilma. 

A presidente disse ainda que o Brasil age pelos princípios de não ingerência e autodeterminação. No começo do ano, antes da posse da Assembleia Nacional venezuelana, de maioria opositora, o Itamaraty divulgou nota pedindo respeito à vontade das urnas – em rara demonstração pública sobre a crise política no país.

Celac. Dilma chegará à capital do Equador no fim da tarde de hoje disposta a usar a crise como mote para a defesa da integração latino-americana, apesar das discordâncias entre os 33 países que compõem a Celac sobre como sair da estagnação econômica. Ela terá, ainda hoje, uma reunião de trabalho e um jantar com o presidente do Equador, Rafael Correa.

Em discurso sob medida para valorizar a Celac, Dilma pedirá prioridade aos temas que aproximam os países do grupo, e não às suas divergências. 

Em tom conciliador, a presidente destacará a importância dos acordos regionais e da parceria nos projetos de infraestrutura para driblar as dificuldades que atingem as nações da Celac, abaladas pela desaceleração da China e por sucessivas quedas nas cotações das commodities.

No momento em que países da Celac enfrentam queda vertiginosa das exportações, alta da inflação, desemprego, baixo crescimento e problemas políticos, Dilma fará um pronunciamento para reforçar laços do bloco, deixando de lado pautas que dividem seus integrantes, como direitos humanos. O tema já provocou mal-estar entre Argentina e Venezuela, na cúpula do Mercosul, realizada em dezembro, no Paraguai.

A tentativa do Brasil é insistir na necessidade de outras fontes de crescimento para acelerar o comércio da região, que passa por muitas turbulências. Há a possibilidade de uma reunião paralela do Mercosul para discutir perspectivas de comércio com a União Europeia. 

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