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Diplomata dos EUA critica repressão na Tailândia

AE - Agência Estado

24 Junho 2014 | 22h 05

O recente golpe militar na Tailândia é mais repressivo e provavelmente irá permanecer por mais tempo que o último, há oito anos, afirmou o diplomata sênior dos EUA para o Sudeste Asiático, Scot Marciel.

Marciel se mostrou preocupado com a censura à internet e à mídia e com as detenções e intimidações a centenas de figuras políticas, acadêmicos, jornalistas e manifestantes. O diplomata testemunhou em uma audiência no Congresso sobre a ameaça à democracia na Tailândia, o mais antigo aliado dos EUA na Ásia.

"Nós não acreditamos que uma verdadeira reconciliação pode vir através do medo e da repressão. Os problemas com raízes profundas e diferenças de opinião que alimentam essa divisão só podem ser resolvidos pelo povo da Tailândia por meio de um processo democrático", afirmou ao subcomitê da Câmara dos Representantes que monitora a política externa dos EUA para a Ásia.

A junta militar caracterizou a intervenção militar como necessária para recuperar a ordem e implementar reformas antes de conduzir eleições gerais em até 15 meses. Um governo interino será indicado em setembro. No entanto, Marciel avaliou o plano como "muito vago".

O golpe foi bem-visto por muitos oponentes do governo de Yingluck Shinawatra, mas algumas ações da junta militar começam a levantar críticas. Durante o fim de semana, um homem foi levado por oficias disfarçados por ler em frente a um dos mais luxuosos shoppings de Bangcoc uma cópia do livro "1984", de George Orwell.

A maior parte das centenas de detenções durou apenas dias, e Marciel afirmou que não há relatos de maus tratos. No entanto, muitos deles tiveram que assinar promessas de que não instigarão a agitação popular.

Ontem, a União Europeia suspendeu todas as visitas de funcionários para a Tailândia e colocou em espera a assinatura de um acordo para aprofundar os laços políticos e comerciais. Fonte: Associated Press.