AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
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Chefe de Comunicações de Trump sai após 10 dias no cargo

John Kelly, que tomou posse nesta segunda-feira na Casa Civil, determinou demissão de Scaramucci

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 15h50

O núcleo do governo de Donald Trump sofreu nesta segunda-feira sua terceira baixa em dez dias: Anthony Scaramucci, diretor de Comunicações, deixou o cargo menos de duas semanas após ter sido nomeado pelo presidente. Na mesma tarde, o general John Kelly assumiu o posto de chefe da Casa Civil com a missão de impor disciplina a um governo marcado por disputas internas, desorganização e derrotas legislativas.

Com trajetória no mercado financeiro, a indicação de Scaramucci havia causado a demissão do porta-voz Sean Spicer. Na sexta-feira, o chefe da Casa Civil, Reince Priebus, também deixou o posto depois de ser atacado de maneira pública por Scaramucci em declarações à revista New Yorker recheadas de palavrões impublicáveis. 

 

A primeira decisão de Kelly como chefe de gabinete, segundo a imprensa americana, foi demitir Scaramucci, para evitar novos conflitos no governo – embora a Casa Branca insista na versão oficial de que o diretor de Comunicações pediu demissão para deixar o novo chefe de gabinete mais à vontade com a nova equipe. 

Desordem. O próprio presidente contribuiu para a percepção de desorganização ao criticar abertamente o secretário de Justiça, Jeff Sessions, por sua decisão de se declarar impedido de atuar na investigação sobre interferência da Rússia na eleição de novembro. 

A insatisfação com o rumo das investigações levou Trump a demitir o então diretor do FBI, James Comey, em maio, seis anos antes do fim previsto para seu mandato de dez anos. O caso também levou à primeira grande baixa do governo, o general Michael Flynn, que durou menos de um mês no cargo de chefe do Conselho de Segurança Nacional. 

Analistas americanos são céticos sobre as chances de sucesso de Kelly na imposição de ordem dentro do governo. Segundo eles, o maior problema é a falta de disciplina do presidente, que usa o Twitter sem limites e dá muitas declarações impróprias. Na semana passada, por exemplo, o chefe dos escoteiros dos Estados Unidos se desculpou formalmente pelo pronunciamento que o presidente proferiu em encontro da entidade.

“Nunca vimos um pandemônio como esse nos primeiros seis meses de um governo”, disse o cientista político David Cohen, professor da Universidade de Akron. “Nós temos no Salão Oval uma pessoa que precisa de uma babá, de alguém que o controle”, avaliou.

Julian Zelizer, professor da Universida Princeton, considera remota a probabilidade de Kelly impor disciplina ao gabinete de Trump. “Há uma série de centros de poder na Casa Branca e será difícil manter todos eles andando na linha”, disse Zelizer, lembrando que Ivanka Trump e seu marido, Jared Kushner, têm acesso direto ao presidente. “Há um sentimento de que não há governo.”

A desordem é acompanhada da deterioração do relacionamento do presidente com sua base de apoio no Congresso, que na semana passada fracassou em sua tentativa de rejeitar o Obamacare, uma das principais promessas de campanha de Trump.

A política externa também parece sem rumo, com diretrizes contraditórias anunciadas pelo presidente no Twitter. Depois de elogiar seu colega chinês, Xi Jinping, o americano disse na rede social no sábado que está “muito desapontado” com Pequim em razão da incapacidade do país de conter as ambições nucleares da Coreia do Norte.

 

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