Daniel Aguilar/Reuters
Daniel Aguilar/Reuters

Dirigentes no governo Chávez lavaram dinheiro em Andorra, diz Espanha

Agência encontra indícios de que 4 ex-vice-ministros, um chefe de inteligência e executivo da PDVSA teriam participado do esquema

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

16 Março 2015 | 15h49

PARIS - Pelo menos três ex-altos dirigentes dos governos do ex-presidente Hugo Chávez na Venezuela foram identificados por crimes de lavagem de dinheiro pela Unidade Espanhola Anti-Lavagem (Sepblac). Segundo revelou nesta segunda-feira, 16, o jornal espanhol El Mundo, quatro ex-vice-ministros, um chefe de inteligência, um executivo da estatal petrolífera PDVSA e um empresário teriam depositado na Banca Privat d'Andorra (BPA) fundos que seriam provenientes de subornos milionários.

A investigação amplia as suspeitas de que dirigentes "bolivarianos" tenham praticado a lavagem internacional de dinheiro. No final da semana passada, a Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN), a agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos especializada em investigação de crimes financeiros, já havia apontado o envolvimento de autoridades venezuelanas em crimes financeiros internacionais. Um total de US$ 4,2 bilhões teriam sido lavados por membros do governo Chávez.

O jornal El Mundo revelou que a Comissão de Prevenção à Lavagem de Dinheiro do governo da Espanha também identificou os crimes, apontando nomes de beneficiários. A investigação foi possível pela revelação de uma lista de clientes do BPA, uma instituição financeira que intermediou a migração de capitais de origem escusa para paraísos fiscais. Conforme o jornal, a subsidiária do Banco de Madrid - também envolvido em um escândalo de lavagem - teria acobertado crimes financeiros praticados por Nervis Gerardo Villalobos, ex-vice-ministro de Energia, Javier Alvarado, ex-vice-ministro de Desenvolvimento, Alcides Rondón, ex-vice-ministro do Interior, Carlos Aguilera, ex-diretor do Serviço de Inteligência da Venezuela, além de dois empresários, Rafael Jiménez e Omar Farias, reputados como próximos a Chávez.

No início de fevereiro, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), organização não-governamental com sede em Washington, já havia revelado que a lista de clientes do banco HSBC beneficiados por estratégias de lavagem e ocultação de dinheiro em paraísos fiscais envolviam dirigentes de governos chavistas. A investigação apontou que US$ 14,8 bilhões transitaram por contas de dirigentes venezuelanos no HSBC Private Bank entre 1998 e 2007 - o que colocou o país na terceira posição, atrás da Suíça e da Grã-Bretanha, em volume de fundos. A maior parte dos recursos, US$ 11,9 bilhões, pertenciam ao Escritório do Tesouro da Venezuela.

Na Espanha as investigações em curso indicam que as autoridades de regulação financeira do Principado de Andorra teriam sido lenientes com o esquema operado pelo BPA, com a conivência do Banco de Madrid, e do qual teriam se beneficiado ainda dirigentes da China, da Rússia e do México, além da Venezuela.

O escândalo levou a Promotoria Anticorrupção, órgão do governo da Espanha, a intervir no Banco de Madrid, paralisando as atividades da instituição em razão da elevada fuga de capitais. "Esta decisão responde à forte deterioração da situação financeira como consequência das importantes retiradas de fundos de clientes que afetaram sua capacidade de fazer frente ao cumprimento pontual de suas obrigações", informou o Banco Central da Espanha em nota oficial.

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