REUTERS/Yannis Behrakis
REUTERS/Yannis Behrakis

Disputa diplomática entre Itália e Malta deixa imigrantes à deriva por 3 dias

Imbróglio destaca contínuo isolamento da Itália com a União Europeia para lidar com o fluxo de cerca de 600 mil imigrantes do Norte da África, a maioria da Líbia, desde 2014

O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 16h43

ROMA - Depois de três dias de um imbróglio diplomático com a ilha de Malta sobre quem deveria receber os resgatados, a Itália deu permissão nesta quarta-feira, 9, a uma organização humanitária espanhola para desembarcar imigrantes líbios na Sicília. 

A disputa destacou o contínuo isolamento da Itália com a União Europeia para lidar com o fluxo de cerca de 600 mil imigrantes do Norte da África, a maioria da Líbia, desde 2014.

Com eleições previstas para o próximo ano, o governo de centro-esquerda italiano tem tentado buscar mais ajuda dos parceiros da União Europeia, incluindo a pequena ilha de Malta, que deixa para a Itália o trabalho de coordenar os resgates em alto mar. 

"Essa disputa administrativa ressalta um problema contínuo da União Europeia, onde há uma recusa generalizada em se lidar com a imigração", disse Riccardo Gatti, diretor da Proactiva Open Arms, a ONG espanhola de apoio aos refugiados.    

A embarcação Golfo Azzurro, da organização, resgatou três homens líbios no domingo de um pequeno barco nas águas demarcadas dentro da área de resgate de Malta, segundo Gatti. 

As autoridades da ilha disseram à tripulação do navio, que se dirigia para Malta para a troca de equipe quando realizou o resgate, que fosse para a ilha italiana de Lampedusa. No entanto, autoridades italianas recusaram seu acesso. 

O Golfo Azzurro então teve de permanecer em águas internacionais, na Sicília, até hoje, quando teve um problema mecânico e a guarda costeira da Itália deu permissão a ele para entrar no Porto de Pozzallo. 

 

"Autoridades de Malta, após o resgate, disseram (ao Golfo Azzurro) para ir para Lampedusa, uma decisão tomada sem a aprovação necessária das autoridades marítimas italianas", afirma um comunicado da guarda costeira da Itália. "Depois de ouvir sobre a iniciativa de Malta, a guarda costeira da Itália comunicou que Lampedusa não poderia ser usada." 

Os três líbios desembarcaram em Pozzallo. "Os homens disseram à equipe do Golfo Azzurro que eram perseguidos e temiam por suas vidas na Líbia", disse Gatti. Todos eles planejam pedir asilo. / REUTERS 

 

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