AP Photo/Marco Ugarte
AP Photo/Marco Ugarte

Chavista dissidente promete revelar detalhes sobre a corrupção no governo Maduro

Luisa Ortega Díaz revelou que começará a publicar uma série de documentos, provas, evidências e vídeos que supostamente implicariam o chavista e a construtora Odebrecht

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2017 | 08h40

GENEBRA - A procuradora-geral destituída da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, revelou que iniciará uma série de publicações de dados sobre a corrupção no governo de Nicolás Maduro e já compartilhou com as autoridades dos EUA evidências que implicariam a alta cúpula do governo bolivariano.

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Ortega está em Genebra para reuniões na ONU. Em resposta ao Estado, ela apontou que decidiu divulgar as informações das quais dispunha sobre a corrupção no país. “O que eu tenho são evidências e as entreguei a diferentes procuradores-gerais”, disse a procuradora, afastada depois de romper com o governo chavista. “Mas decidi começar a publicar parte dessas evidências. Ainda vou guardar muitas delas para ver quando publicar”, alertou.

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No domingo, Ortega promete divulgar mais uma parte de suas revelações, por meio de suas redes sociais. A decisão de torná-las públicas surge depois que a procuradora afastada passou a ser alvo de uma nova pressão do governo Maduro.

Na quinta-feira, 12, ela usou suas redes sociais para publicar um vídeo no qual um ex-executivo da construtora brasileira Odebrecht admite ter financiado a campanha eleitoral de Maduro. O vídeo traz o presidente da Odebrecht/Venezuela, Euzenando Acevedo, admitindo ter recebido um pedido de US$ 50 milhões por parte do chavista, mas acabou fechando a contribuição em US$ 35 milhões. O trecho se refere às declarações que o executivo brasileiro prestou na sede do Ministério Público Federal, no Estado de Sergipe, no dia 15 de dezembro de 2016.  

Ortega explicou que o vídeo foi uma reação à decisão das autoridades venezuelanas de emitir um alerta vermelho na Interpol contra seu marido, por uma suposta conta que ele teria nas Bahamas.

Na avaliação da procuradora afastada, essa ofensiva do governo foi também uma resposta ao fato de que foram encontrados nos escritórios da Odebrecht documentos que mostram pagamentos a primos do ex-vice-presidente da Venezuela, Diosdado Cabello.

Washington

Segundo Ortega, outra iniciativa que adotou foi a de repassar ao governo americano informações sobre os esquemas de corrupção. “Os procuradores que estão na Colômbia comigo se reuniram com os procuradores americanos e outras autoridades para trocar informação. Apresentamos evidências que comprometem altos funcionários do governo”, garantiu.

“Foi a corrupção que levou à crise que a população enfrenta hoje no campo da saúde, educação, segurança”, disse Ortega. “O governo arruinou a Venezuela, com a deterioração total das cidades, instituições, estruturas e equipes para que funcione o Estado”, lamentou.  “Isso é produto da corrupção.”

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