Divergências dificultam acordo na Grã-Bretanha

Falta de consenso em torno do conservador Cameron e de temas cruciais afasta liberais e atrapalha aliança

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

A definição em torno do novo primeiro-ministro da Grã-Bretanha entrou ontem em seu quarto dia, sem que um sinal claro em favor de um acordo e de apoio ao líder conservador David Cameron tenha sido feito pelo Partido Liberal, de Nick Clegg. A portas fechadas, as discussões prosseguiram ontem em Londres, mas pressões de expoentes dos dois partidos contra a coalizão dificultam o acordo. Na expectativa de que as discussões não deem certo, o primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista, Gordon Brown, segue no poder, com cada vez menos apoio de seus correligionários.

 

Veja também:

Como premiê, Brown deve resolver situação

Cameron quer o poder, mas não temas cruciais

Rainha é última alternativa para escolha de premiê

Especial: Por dentro das eleições britânicas

Cameron e Clegg voltaram a encontrar-se ontem, mas as negociações foram aprofundadas por assessores diretos dos dois ex-candidatos em torno de temas como estabilidade econômica e redução do déficit da Grã-Bretanha, reforma do sistema bancário, meio ambiente e liberdades civis. O impasse maior à formação da coalizão continua sendo a indisposição do Partido Conservador em ceder aos principais interesses do Partido Liberal, entre os quais a convocação de um referendo sobre a reforma do sistema eleitoral.

Contrariados com as exigências de Clegg, líderes conservadores já pedem que o partido abandone as negociações por uma coalizão, e concentre-se na montagem de um governo de minoria no Parlamento.

Michael Heseltine, parlamentar conservador, disse: "Não acredito nem por um minuto que Cameron cederá a mudanças no sistema eleitoral e não penso que ele precise disso". "Sua posição é muito mais forte: ele está se tornando primeiro-ministro e controla o programa parlamentar", acrescentou Heseltine.

Com o impasse, as negociações deverão tomar todo o dia de hoje, causando risco de instabilidade na City, o maior mercado financeiro da Europa.

No sábado, o premiê conversou por telefone com Clegg. Ontem, ambos tiveram um encontro sigiloso. De acordo com a imprensa britânica, Clegg teria advertido Brown de que qualquer negociação passa por sua demissão, o que abriria caminho para que um novo nome trabalhista - como o chanceler britânico David Milliband - tente um governo de coalizão.

Pressão por renúncia. Ontem, 4 dos 258 deputados trabalhistas eleitos na semana passada vieram a público pedir a renúncia de Brown da liderança do partido. O primeiro-ministro, entretanto, segue resistindo. Em e-mail a seus eleitores, Brown afirmou que persistirá tentando se manter no poder. "Minha decisão não mudou, nem mudará", afirmou. "Prometi fazer tudo o que estiver ao meu alcance para lutar pelo povo deste país."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.