ADEM ALTAN/AFP
ADEM ALTAN/AFP

Dezenas de editores pedem que presidente da Turquia proteja imprensa no país

Empresas de mídia alegam preocupação com relação aos direitos dos jornalistas no território turco e lembram ataques recentes a um jornal local

O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2015 | 12h10

ISTAMBUL - Dezenas de editores de algumas das maiores empresas internacionais de mídia do mundo escreveram ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan expressando “profunda preocupação em relação às condições deterioradas da liberdade de imprensa no território turco”.

A carta foi assinada por editores de empresas de mídia de mais de 24 países, incluindo Kathleen Carroll, diretora-executiva da agência de notícias Associated Press. Eles pedem que Erdogan garanta a proteção dos direitos dos jornalistas.

O documento também relembra os ataques recentes à redação do diário turco Hurriyet, que tem criticado o governo e a prisão de três jornalistas do Vice News, no sudeste curdo.

Um dos jornalistas, Mohammed Rasool, ainda está sob custódia. Ele é um cidadão iraquiano e trabalha para a Associated Press.

Em quase meio século como repórter, colunista e editor de dois jornais nacionais, o jornalista turco Hasan Cemal já viu golpistas e militares governarem, e crises do governo abalarem a democracia turca. Mas, segundo ele, nunca viu a liberdade de imprensa ser tão cerceada no país.

Leis antiterroristas amplamente definidas têm sido usadas para processar dezenas de jornalistas nos últimos anos. Vários outros enfrentam ações legais por se referirem ao escândalo de corrupção no círculo interno de Erdogan em dezembro de 2013.

Quase todos cometeram o mesmo erro: criticaram a política do governo ou ofenderam Erdogan, que têm dominado o cenário político do país por mais de uma década e cuja liderança, de acordo com críticos, se tornou cada vez mais autoritária.

“O livre espaço dos jornalistas está sendo limitado de uma forma sem precedentes porque há a ordem de um sultão que odeia independência”, disse Cemal. “Liberdades e direito de viver democraticamente estão rapidamente sendo eliminados.”

Erdogan rejeita a ideia de que a Turquia não tem liberdade de imprensa, e declarou em janeiro que jornalistas turcos eram mais livres no país do que em qualquer lugar da Europa. /ASSOCIATED PRESS e REUTERS

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