Divisão aumenta chance de azarões republicanos

Com 15 aspirantes à vaga de candidato presidencial nas eleições americanas de 2016, o Partido Republicano é visto por 75% de seus próprios seguidores como uma legenda divida. A cisão e o descontentamento com seus representantes em Washington estimulam as candidaturas de fora do establishment, como Ben Carson e Donald Trump, que juntos obtêm 50% das intenções de voto.

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 02h04

Se a história se repetir no próximo ano, porém, é pouco provável que um dos dois consiga a nomeação, na opinião de Allan Lichtman, professor da American University e criador de um modelo que previu de maneira correta todos os vencedores de eleições presidenciais americanas desde 1984.

"O Partido Republicano jamais buscou alguém que não apenas nunca disputou uma eleição, mas nunca ocupou um cargo público", disse Lichtman em conversa com jornalistas estrangeiros em Washington. "Se você olhar a história recente do partido, eles sempre escolheram uma figura convencional, com experiência e projeção dentro do partido." Carson e Trump nunca se candidataram nem ocuparam cargos públicos.

A ala tradicional da legenda enfrenta dificuldades em razão do descontentamento de seus eleitores com a performance dos republicanos no Congresso e a debilidade da candidatura de Jeb Bush - preferido dos líderes, mas que não mobiliza a base do partido. "Este não é um bom ano para o establishment republicano", disse Lichtman.

Pesquisa New York Times/CBS News, divulgada na terça-feira, mostrou que dois terços dos entrevistados estão insatisfeitos com seus deputados e senadores em Washington. Em 2014, os republicanos conquistaram a maioria dos votos no Senado e ampliaram sua vantagem na Câmara dos Deputados. Ainda assim, a política na capital americana continuou a ser marcada pelo impasse.

Em uma rara concessão, a Casa Branca e líderes da oposição fecharam nesta semana um acordo que eleva o limite de endividamento dos EUA e autoriza gastos até 2017, o que evitará uma crise orçamentária e a paralisação do governo. Mas, muitos republicanos da extrema direita criticaram a negociação, por considerarem que ela é frouxa do ponto de vista fiscal.

As divisões se refletem na percepção dos eleitores em relação ao partido. Entre os 75% que veem a legenda dividida, 70% acreditam que seus representantes têm ao menos parte da culpa pela paralisia que marca a política na capital.

A pesquisa do New York Times/CBS News foi a primeira na qual Carson apareceu à frente de Trump, que liderava a corrida republicana desde julho. "Os dois quebram o molde da longa história do Partido Republicano, especialmente de sua história recente", observou Lichtman.

Em sua avaliação, a legenda terá um nome tradicional para enfrentar Carson ou Trump nas primárias do próximo ano. "Eles tendem a adorar esses rebeldes, mas nunca os escolhem como candidatos", disse o professor. Bush obteve 7% das intenções de voto no levantamento, um ponto abaixo do senador Marco Rubio, que ficou em terceiro lugar.

Segundo Lichtman, Bush já parece um "perdedor". Ainda assim, ele não descarta uma reação do pré-candidato até o início do processo de escolha, em fevereiro. Com 44 anos, Rubio é visto cada vez mais como uma opção pela ala tradicional do partido, mas ele ainda precisa demonstrar que pode chegar aos dois dígitos nas pesquisas.

A indefinição e a pouca diferença nas intenções de voto entre os outros 13 aspirantes à Casa Branca fazem com que muitos deles resistam a abandonar a corrida. Até agora, só dois pré-candidatos republicanos deixaram a disputa: o ex-governador do Texas Rick Perry e o governador de Wisconsin, Scott Walker, que chegou a ser apontado como um dos favoritos da ala tradicional do partido.

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