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Documentário reforça teoria de que Nisman foi assassinado

Los Abandonados, dirigido por Matthew Taylor, relaciona a morte à denúncia feita quatro dias antes pelo promotor contra o governo kirchnerista; veja trailer

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 18h31

Um documentário americano de 77 minutos lançado nesta quinta-feira, 1º, na internet, a 25 dias da eleição argentina, reforça a teoria de que o promotor Alberto Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em 18 de janeiro em seu apartamento em Buenos Aires, foi assassinado. 

Los Abandonados, dirigido por Matthew Taylor, relaciona a morte à denúncia feita quatro dias antes por Nisman. Ele acusava a presidente Cristina Kirchner, o chanceler Hector Timerman e altos funcionários kirchneristas de desistir de punir iranianos considerados pela Justiça autores do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em troca de acordos comerciais com Teerã. O Irã abriga os oito acusados de planejar o ataque, que matou 85 pessoas em 1994.

O documentário traz entrevistas com políticos da oposição, repórteres, peritos, procuradores, juízes e ex-integrantes do serviço de inteligência. Todos apontam irregularidades propositais na investigação dos dois atentados e da morte do promotor – que a presidente descreveu primeiro como um suicídio e, dois dias depois, um homicídio com intenção de prejudicá-la. Integrantes do Hezbollah e do governo iraniano acusados negam participação em trechos de arquivo. A produção não entrevistou kirchneristas. A linha oficial de investigação aponta para um suicídio, enquanto a família do promotor contratou peritos que garantem ter havido um homicídio.

A narrativa começa com a associação judaica em ruínas após a detonação de uma furgoneta com explosivos e lembra que a embaixada de Israel tinha sido alvo dois anos antes, com 29 mortos. Descreve a anulação da investigação inicial do caso Amia, razão pela qual um ex-juiz e o ex-presidente Carlos Menem são réus por encobrimento. Mostra também a reviravolta na relação do governo argentino com o iraniano. 

Enquanto Néstor Kirchner (2003-2007) pressionava Teerã – ele deu superpoderes a Nisman para esclarecer o caso –, Cristina decidiu se aliar com os iranianos. Essa aproximação culminou com um pacto assinado pelos dois países em 2013, que segundo a Casa Rosada permitia ouvir os acusados no Irã e chegar à verdade. Algumas fontes do documentário, sem apresentar provas, associam esse elo à mediação do venezuelano Hugo Chávez e até a um financiamento iraniano da campanha de Cristina. 

Em uma entrevista do promotor dias antes de sua morte, ele sustenta que tal pacto queria garantir a impunidade daqueles que ele tentava levar à prisão havia 10 anos. Sua denúncia contra a presidente foi arquivada em maio.  Ao Estado, o diretor disse que o lançamento do filme no site Vimeo (compra por  US$ 10,99 e aluguel por  US$ 3,99) não tem relação com a proximidade da eleição. “Se Nisman tivesse morrido em 2014, o filme teria sido lançado no ano passado. Começamos logo a após a morte e a produção acabou em setembro. Não vi razão para esperar”, afirmou Taylor. 

Veja o trailer: 

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