EFE/Jose Fuentes
EFE/Jose Fuentes

Documentos dos EUA apontam que Pinochet ordenou assassinato de ex-chanceler chileno

Documentos dos governo americano que tiveram o sigilo removido recentemente comprovariam que ex-ditador do Chile ordenou a morte do ex-chanceler do país Orlando Letelier

O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2015 | 15h26

SANTIAGO - O ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990) ordenou o assassinato e a ocultação do caso em que o ex-chanceler chileno Orlando Letelier foi morto em Washington, em 1976, segundo documentos secretos do governo americano que tiveram o sigilo removido recentemente, afirmou nesta quinta-feira, 8, o filho do diplomata.

Quase quatro décadas depois do crime, os EUA entregaram recentemente ao Chile cerca de 1 mil documentos oficiais nos quais estariam provas concretas da participação de Pinochet no episódio.

"A novidade que apareceu (com os documentos) é a prova que não tínhamos antes de que foi Pinochet quem deu a ordem. Nós tínhamos a convicção política, mas não tínhamos os antecedentes jurídicos para sustentá-la", disse Juan Pablo Letelier, filho do ex-chanceler e atual senador do Partido Socialista chileno.

O senador afirmou que há um documento do ex-secretário de Estado dos EUA George Shultz (1982-1989) "que deixa muito claro que ele tinha um relatório da CIA com informações conclusivas e convincentes de que Pinochet foi quem deu a ordem a Manuel Contreras (então chefe da polícia política chilena) para executar esse ato de terrorismo".

Os documentos que tiveram o sigilo removido foram entregues pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para a presidente do Chile, Michelle Bachelet, na conferência "Nosso Oceano", realizada na segunda e terça-feira no Chile.

Depois do encontro, o governo de Bachelet informou ao senador e a Justiça do país sobre o recebimento dos documentos americanos. Além de comprovar a responsabilidade de Pinochet, os documentos da inteligência americana também abordariam ações posteriores realizadas pelo ex-ditador para encobrir o crime.

"São provas claras de como Pinochet criou obstáculos para a investigação e como ele atuou para evitar que seu nome e suas responsabilidades fossem identificadas", chegando até mesmo a pensar em matar Manuel Contreras, disse Juan Pablo Letelier.

Pinochet, que morreu em 2006, nunca foi julgado por esse caso apesar de a Justiça chilena ter conseguido processá-lo por algumas das mais de 3,2 mil vítimas, entre mortos e desaparecidos, que deixou se regime, assim como por enriquecimento ilícito.

Contreras, chefe até 1978 da temida polícia secreta do Chile, foi condenado a 7 anos de prisão por esse caso, mesmo pena importa ao general Pedro Espinosa.

Considerado um dos maiores repressores chilenos, Contreras morreu em agosto enquanto cumpria sua pena pelas violações de direitos humanos que, no total, superavam mais de 500 anos de reclusão.

O senador chileno disse também que um dos que tiveram papel fundamental para encobrir a verdade sobre a morte de seu pai foi o ex-guada-costas de Pinochet e prefeito de Providencia, Cristián Labbé. Ele também valorizou a decisão dos EUA de revelar os documentos até então mantidos em sigilo.

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