Ivor Prickett/The New York Times
Ivor Prickett/The New York Times

Documentos mostram como EI formou seu califado sem depender do petróleo

Grupo islâmico fundou Estado que arrecadava impostos, emitia certidões e limpava ruas de maneira mais eficiente que governo iraquiano; EUA atacaram instalações petrolíferas, mas era a agricultura que movia a economia local

Rukmini Callimachi, THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 05h00

MOSSUL, Iraque - Semanas depois de os militantes capturarem Mossul,  enquanto combatentes vagavam pelas ruas e radicais religiosos reescreviam as leis, uma ordem foi emitida por meio de alto-falantes das mesquitas locais. Os servidores públicos, deviam se apresentar nos seus antigos locais de trabalho. E para garantir que recebessem a mensagem, os militantes ligavam para os supervisores. Quando alguém tentava se escusar, alegando uma dor nas costas,  a resposta era “Se não aparecer, nós vamos aí e quebramos suas costas”.

+ 'Califado virtual' do Estado Islâmico bate em retirada na internet

Um dos que receberam o telefonema foi Muhammad Nasser Hamoud, funcionário havia 19 anos do Conselho Diretivo de Agricultura Iraquiano, que vivia com o portão da casa trancado,   escondido ali com sua família. Aterrorizado, mas sem saber o que fazer, ele e seus colegas retornaram ao prédio de seis andares onde trabalhavam, decorado com pôsteres de sementes híbridas.

Ao chegarem as cadeiras estavam enfileiradas, como se para  uma palestra. O comandante, sentado na frente da sala, exibia uma pistola na cartucheira na perna. Por um momento, os únicos sons eram de preces balbuciadas pelos funcionários.

Mas seus temores eram infundados. Embora se expressasse em tom ameaçador, o comandante apenas lhes ordenou: retomem seu trabalho imediatamente. Uma folha de presença foi colocada na entrada de cada departamento. Os que faltassem ao trabalho seriam punidos.

Reuniões como esta ocorreram em todo o território controlado pelo Estado Islâmico, em 2014. Os servidores municipais retornaram ao trabalho, tapando buracos nas ruas, pintando faixas de pedestres, consertando linhas elétricas e supervisionando folhas de pagamento. “Não havia outra escolha senão retornar ao trabalho”, disse Hamoud. “O serviço executado era o mesmo que antes. Salvo que agora servíamos um grupo terrorista”.

+ Queda de Raqqa mudará estratégia do Estado Islâmico

Os desgrenhados combatentes que irromperam do deserto há mais de três anos fundaram um Estado que não era reconhecido por ninguém exceto por eles próprios. E durante quase três anos o EI controlou uma faixa de terra que num dado momento tinha o tamanho da Grã-Bretanha, com uma população de cerca de 12 milhões de pessoas. No seu auge, esse território incluía uma  linha costeira de 160 quilômetros na Líbia, uma parte das florestas sem controle da Nigéria e uma cidade nas Filipinas, como também colônias em pelo menos 13 outros países. Mas a maior cidade sob seu governo era Mossul.

Quase todo esse território hoje foi perdido, mas o que os militantes deixaram para trás ajuda a responder a uma pergunta inquietante sobre sua longevidade: como um grupo cujos espetáculos de violência galvanizaram o mundo contra ele conseguiu controlar um território tão grande e por tanto tempo? Parte da resposta pode ser encontrada nas mais de 15.000 páginas de documentos internos do EI que descobri durante cinco viagens ao Iraque por mais de um ano.

O mundo conhece o Estado Islâmico por sua brutalidade, mas os militantes não governavam somente pela espada. Eles exerciam seu poder por meio de dois instrumentos complementares: brutalidade e burocracia. O EI construiu um Estado administrativamente eficiente, com arrecadação de impostos e coleta de lixo. Possuía um cartório de casamentos que monitorava exames médicos para se certificar de que os casais podiam ter filhos. Emitia atestados de nascimento, impressos em papel com timbre do EI para crianças nascidas sob a bandeira negra do califado. Chegava mesmo a administrar seu próprio departamento de veículos motorizados.

Os documentos e entrevistas feitas com dezenas de pessoas que viveram sob seu comando mostram que o grupo chegou às vezes a prestar serviços melhores e mostrou ser mais capaz que o governo que ele substituiu.

E sugerem também que os militantes aprenderam com os erros cometidos pelos Estados Unidos em 2003 após a invasão do Iraque, incluindo a decisão de expulsar os membros do partido de Saddam Hussein de suas posições e impedir que arranjassem um futuro emprego. Conseguiram extirpar o governo Bahatista, mas também acabaram com as instituições civis do país, criando um vazio de poder que grupos como o Estado Islâmico se apressaram em preencher.

Pouco mais de uma década mais tarde, depois de capturar territórios no Iraque e na Síria, os militantes usaram uma tática diferente. Criaram seu próprio Estado em cima do que existiu antes, absorvendo o know-how administrativo de suas centenas de quadros governamentais. Um exame de como o grupo governou revela que havia uma colaboração entre os militantes os civis sob o seu jugo.

Uma das chaves do seu sucesso foi o fluxo de receita diversificado, extraída de muitas vertentes da economia que só os ataques aéreos não bastavam para paralisar.

Livros contábeis, recibos, orçamentos mensais, descrevem como eles monetizaram cada centímetro do território conquistado, tributando cada alqueire de trigo, cada litro de leite de cabra e cada melão vendido nos mercados por eles controlados. Somente da agricultura arrecadavam centenas de milhões de dólares. Contrariamente à percepção popular, o grupo conseguia se financiar sem depender de doadores estrangeiros.

O mais surpreendente é que os documentos fornecem mais evidências de que as receitas fiscais do Estado Islâmico eram muito maiores do que as obtidas com a venda de petróleo. Era o comércio e a agricultura – e não o petróleo, que impulsionavam a economia do califado.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos, tentando expulsar o Estado Islâmico da região, tentou em vão asfixiar o grupo bombardeando suas instalações petrolíferas. É bem mais difícil bombardear um campo de cevada. Só no ano passado que os militantes abandonaram Mossul, após uma batalha comparada aos piores combates registrados durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora o Estado dos militantes tenha sido aniquilado, seu projeto ficou para outros usarem. “Nós subestimamos o Estado Islâmico como um grupo sangrento. Ele é sangrento. Nós subestimamos a sua crueldade. E ele é cruel. Mas ao mesmo tempo esses militantes perceberam a necessidade de manter as instituições”, disse Fawaz A. Gerges, autor do Livro “Isis : A History”. “A capacidade de governar do Estado Islâmico é na verdade tão perigosa quando seus combatentes”, disse ele.

Terra à disposição

Um dia depois da reunião, Hamoud, que é sunita, retornou ao trabalho e viu que o seu departamento estava agora com funcionários 100% sunitas, a seita islâmica praticada pelo EI. Seus colegas xiitas e cristãos que antes trabalhavam com ele fugiram todos. Por um tempo Hamoud e os funcionários sob sua supervisão no departamento de agricultura trabalharam da mesma maneira como antes. Mesmo os campos agrícolas que usavam eram os mesmos, embora recebessem ordem de usar um rótulo para cobrir a logomarca do governo iraquiano.

Mas os homens barbudos que supervisionavam seu departamento estabeleceram um plano que lentamente começou a ser implementado. Inicialmente, uma mudança superficial do gabinete de Hamoud, resultou numa transformação total. As mulheres foram enviadas para casa e as creches foram fechadas. O departamento jurídico foi fechado, sob alegação de que as disputas a partir de então seriam resolvidas de acordo com a lei de Deus. E foram encerradas as atribuições diárias do departamento, que era checar os aparelhos de medição de precipitações. Segundo eles, a chuva era uma dádiva de Alá, e quem eram eles para avaliar essa dádiva?

Os funcionários também foram proibidos de se barbear e as pernas das suas calças não deveriam chegar ao tornozelo. Finalmente, Hamoud, 57 anos, que penteia o cabelo de modo a esconder sua careca e se orgulha da sua aparência profissional, deixou de comprar lâminas de barbear. Tirou as calças folgadas que usava para trabalhar e pediu à sua mulher para deixá-las cinco centímetros mais curtas.

+ Trump ordena ao Pentágono que prepare saída de tropas da Síria

Mas a maior mudança veio cinco meses depois e que transformou as centenas de empregados que retornaram com relutância ao trabalho em cúmplices diretos do Estado Islâmico. E ela envolveu o departamento dirigido por Hamoud, responsável pelo arrendamento de terras do governo para agricultores.

Para aumentar a receita, os militantes ordenaram ao departamento de agricultura para acelerar o processo de arrendamento de terras, que durava uma semana, que deveria ser concluído em uma tarde.

Este foi só o começo. Foi então que os funcionários do governo foram informados de que poderiam começar a arrendar propriedade que nunca pertencera ao governo. As instruções estavam contidas em um manual de 27 páginas com o título “O Califado no Caminho da Profecia”. O manual detalhava os planos do EI de confisco de propriedade de grupos religiosos expulsos e usá-la como capital inicial do califado.

Segundo o manual, “o confisco será aplicado à propriedade de cada indivíduo xiita, apóstata, cristão, nusayri e yazidi,  com base na ordem ilegal emitida diretamente pelo Ministério da Justiça”.

Os membros do Estado Islâmico são estritamente sunitas e se consideram os únicos fiéis de verdade. O departamento de Hamoud recebeu instruções para fazer uma lista ampla das propriedades de não sunitas e confiscá-las para serem redistribuídas.

O confisco não se limitou a terras e casas de famílias expulsas. Um ministério inteiro foi criado para recolher e redistribuir camas, mesas, estantes – até garfos os militantes levaram das casas. Era o chamado ministério de Espólios de Guerra. A promessa do EI de cuidar dos seus, incluindo habitação grátis para os recrutados que vinham do estrangeiro, era um dos estratagemas usados pelo califado.

Estou em Mossul e é realmente ótimo aqui”, Kahina el-Hadra, jovem francesa que ingressou no grupo em 2015, escreveu em um e-mail para sua professora de escola, segundo uma transcrição contida em um relatório da Brigada Criminal de Paris, e obtido pelo New York Times. “Tenho um apartamento inteiramente mobiliado”, diz a jovem. “Não pago aluguel nem eletricidade ou água. Uma ótima vida!!!. Não precisei comprar nem um garfo”.

De acordo com registros da polícia, Hadra era a mulher grávida de um dos terroristas suicidas que se explodiu na sala de concertos Bataclan, em Paris, em 2015.

Limpeza completa

Terminado o ano de 2014 e começando 2015, Hamoud e seus colegas ajudavam a manter o aparelho de governo em movimento,  e o Estado Islâmico começou a mudar todos os aspectos da vida na cidade – a começar pelo papel das mulheres. Cartazes mostravam a imagem de uma mulher coberta inteiramente por um véu. Uma empresa têxtil recebeu a encomenda de fabricar roupas femininas com comprimento de acordo com os regulamentos. Logo milhares de niqabs foram colocados no mercado e as mulheres que não se cobrissem eram multadas.

Hamoud, conhecido como o pai de Sara, se rendeu e comprou um niqab para sua filha. No seu trajeto de ida e volta do trabalho para casa, ele passou a caminhar pelas ruas laterais para não assistir às freqüentes execuções levadas a cabo em geral em áreas de muito tráfego e praças públicas. Num dos casos, uma adolescente acusada de adultério foi arrastada de uma minivan e obrigada a se ajoelhar. Em seguida, uma laje de pedra foi lançada sob sua cabeça. Em uma ponte, corpos de pessoas acusadas de serem espiãs balançavam nas grades.

Mas nos mesmos caminhos que percorria, Hamoud observava algo que o deixava envergonhado. As ruas estavam visivelmente mais limpas do que à época do governo iraquiano. Omar Bilal Younes, chofer de caminhão de 42 anos, cuja ocupação lhe permitiu cruzar de ponta a ponta o califado, observou a mesma melhora. “A coleta de lixo era ótima sob o califado”.

Os lixeiros não mudaram, mas ocorre que os militantes impunham uma disciplina que faltava antes, disseram alguns desses empregados que trabalharam sob o governo do EI e foram entrevistados em várias cidades após a expulsão do grupo.

“A única coisa que conseguia fazer durante a época do governo iraquiano era suspender o empregado por um dia sem direito ao salário”, disse Salim Ali Sultan, que chefiava os serviços de limpeza durante a época do governo iraquiano e depois do Estado Islâmico, na cidade de Tel Kaif. “No governo do EI eles poderiam ser presos”, acrescentou.

Os moradores também disseram que as torneiras ficavam menos secas, os encanamentos com menos problemas e os buracos nas ruas eram tapados rapidamente na época do EI, mesmo com os ataques aéreos quase diários. Então, um dia, os moradores de Mossul viram escavadoras se dirigindo para um bairro chamado de Área Industrial, a leste da cidade. Os operários estavam asfaltando uma nova pista, de aproximadamente um quilômetro e meio que ligaria duas áreas da cidade e reduziria o congestionamento. Essa nova estrada foi chamada “Caliphate Way”.

O novo governo não se preocupava somente com assuntos administrativos. Havia uma burocracia para tudo, incluindo a moralidade. Os cidadãos podiam ser parados na rua pela polícia de moralidade, a hisba,  acusados de alguma infração e eram obrigados a entregar seu documento de identidade em troca de um “recibo de confisco”. O documento era levado ao gabinete do grupo, onde eram obrigados a se apresentar e enfrentar um processo. Especialistas religiosos avaliavam o crime e preenchiam um formulário.

Posteriormente, o infrator era obrigado a assinar outro formulário: “Eu, abaixo assinado, prometo não cortar ou aparar minha barba novamente”, diz um deles. “Se o fizer de novo, estarei sujeito a todos os tipos de punição que o Hisba Center possa estabelecer contra mim”.

O fervor com que o Estado Islâmico policiava a população está refletido em 87 registros de prisão abandonados em uma das suas delegacias de polícia. Os cidadãos eram jogados na prisão por uma série de crimes obscuros, como depilar sobrancelhas, jogar dominó, corte de cabelo inapropriado, tocar música ou fumar narguilé.

No começo de 2016, a filha de Hamoud, Sara, saiu para um passeio rápido sem cobrir seus olhos. Ela foi vista por um policial e antes de poder explicar, ele deu um soco no seu olho. Desde então seu pai a proibiu de sair de casa, exceto para ir ao hospital para exames depois daquele ataque, no qual ela perdeu a visão.

Com as mudanças por toda a região, os moradores se defrontavam com escolhas difíceis: ficar ou partir, se rebelar ou se acomodar. Hamoud decidiu fugir. Ele e seu filho mais velho, Omar, haviam guardado mais de US$ 30.000 para comprar uma casa nova. Na manhã da planejada fuga Omar retirou US$ 1.00 da sua conta bancária. Duas horas depois, uma unidade de combatentes mascarados bateu à sua porta. Um deles tinha em mãos o recibo do banco que Omar havia assinado. "Se tentar isto de novo, vamos matar todos vocês”, os militantes alertaram.

A máquina de dinheiro

Na margem ocidental do rio Tigre, num edifício pulverizado, eu encontrei uma maleta. Os documentos que estavam dentro dela revelaram que ela pertenceu a Yasir Issa Hassan, um jovem profissional cuja foto no documento de identificação mostrava um homem com um nariz grande, aquilino. Ele era o administrador da Divisão Comercial dentro do ministério de Agricultura do Estado Islâmico.

As ambições desmedidas do grupo e sua robusta burocracia dependiam da sua habilidade de gerar fundos. Repleta de formulários contábeis, projeções de orçamentos e recibos, como também dois CDs contendo planilhas, essa maleta revelou o escopo da máquina de receitas da organização e deu uma mostra de como ela funcionava. Os relatórios financeiros registravam mais de US$ 19 milhões em transações envolvendo apenas a área de agricultura.

Esses documentos descrevem como o grupo ganhava dinheiro em todas as etapas da cadeia de fornecimento: antes de um grão ou semente ser plantado, o grupo já arrecadava o aluguel dos campos que havia confiscado. Depois, quando da extração dos grãos, era cobrado um imposto sobre a colheita. Os caminhões que transportavam os grãos pagavam taxas rodoviárias. Os silos onde eram armazenados, eram controlados pelos militantes que cobravam e que também ganhavam na venda dos grãos para os moinhos também administrados pelo EI.  A farinha produzida era vendida aos comerciantes pelo grupo.

Os sacos de farinha eram carregados em caminhões que atravessavam o califado, e novas tarifas rodoviárias eram cobradas. E o produto era vendido a supermercados e lojas que também eram taxados. Num período de 24 horas em 2015, uma dessas planilhas encontradas na maleta mostra que o EI arrecadou US$ 1,9 milhão com a venda de cevada e trigo.

Em um único dia, de acordo com outro documento, o EI embolsou mais de US$ 14.000 com trigo descrito como tendo sido queimado em um bombardeio, e US$ 2.300 com a venda de lentilhas e grão-de-bico estragados. Também ganhou US$ 23.000 com grãos que tinham sido tirados do fundo de um tanque.

O braço fiscal do EI envolveu todas as facetas da vida em Mossul. As famílias no Iraque tinham de pagar dois mil dinares por mês (menos de dois dólares) para a coleta de lixo, dez mil dinares (oito dólares) para cada 10 amperes de eletricidade, e mais dez mil dinares pelo fornecimento de água.

As empresas que quisessem instalar um telefone fixo pagavam uma taxa de instalação de 15.000 dinares (12 dólares) mensais  para o departamento de telecomunicações  do grupo, e mais cinco mil dinares mensais de taxa de manutenção.  Os cartórios encarregados de fornecer certidões de casamento e nascimento também cobravam.

Mas talvez o imposto mais lucrativo fosse o religioso, conhecido como zakat, considerado um dos cinco pilares do Islã. Ele era de 2,5% sobre o patrimônio de um indivíduo e chega a 10% no caso da produção agrícola. Embora algumas dessas taxas fossem cobradas também pelos governos da Síria e Iraque, a cobrada em cima do patrimônio era uma nova arrecadação.

Comumente na prática islâmica, o zakat é usado para ajudar os pobres. Na interpretação do Estado Islâmico um ato de caridade que se tornou um pagamento obrigatório, e embora parte dos fundos fosse usada para ajudar famílias necessitadas, o ministério do Zakat e Beneficência agia mais como uma espécie de Receita Federal.

Muitos relatos sobre como o Estado Islâmico se tornou o mais rico grupo terrorista do mundo se concentram nas suas vendas de petróleo no mercado negro, que num certo momento chegou a US$ 2 milhões por semana, segundo algumas estimativas. Mas registros recuperados na Síria mostram que a proporção de dinheiro ganho com taxas e impostos seria seis vezes mais do que o obtido com o petróleo.

Apesar das centenas de ataques aéreos que deixaram o califado um campo de crateras, a economia do grupo continuou funcionando, alimentada pelas entradas de receita que não podiam ser bombardeadas com base nas normas internacionais: os civis sob seu comando, sua atividade comercial e a terra que eles pisam.

Segundo estimativas da FAO – Fundo para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas, a terra que os militantes capturaram era a mais fértil do Iraque e no auge do grupo os campos plantados representavam 40% da produção anual de trigo do país e mais da metade da produção de cevada.

Na Síria o grupo num dado momento controlava 80% da plantação de algodão do país, de acordo com estudo feito pelo Centro de Análise do Terrorismo com sede em Paris, alcançando no total a  soma impressionante de US$ 800 milhões em receitas fiscais anuais, de acordo com o estudo. / Tradução de Terezinha Martino

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.