REUTERS/Fawzy Abdel Hamied
REUTERS/Fawzy Abdel Hamied

Egito aprova estado de emergência após ataques contra cristãos

Homens-bomba atacam igrejas coptas nas cidades de Alexandria e Tanta; presidente egípcio ordena que militares se mobilizem para auxiliar policiais

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2017 | 05h00
Atualizado 10 Abril 2017 | 08h25

CAIRO - O governo do Egito aprovou um estado de emergência em todo país por três meses, informou em comunicado nesta segunda-feira, 10, um dia depois de dois atentados em igrejas cristãs no país deixarem ao menos 44 mortos no país.

O estado de emergência entrará em vigor a partir de 13h locais (8h em Brasília), segundo o comunicado, mas deverá ser aprovado pelo Parlamento em até sete dias para continuar válido. A medida havia sido anunciada no domingo em um comunicado do presidente Abdel-Fattah Al-Sissi.

Os ataques tiveram como alvo igrejas cristãs do ramo copta – linha ortodoxa do cristianismo no país – no dia em que fiéis se juntavam para celebrar o Domingo de Ramos. O Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria das ações, que deixaram cerca de 100 feridos.

Os atos violentos antecedem a visita do papa Francisco ao Egito, programada para o final deste mês. Em Roma, o líder católico condenou os ataques, enviou mensagens de condolências aos coptas e aos egípcios, e se referiu ao patriarca copta como “um irmão”. 

A primeira explosão, em Tanta, uma cidade do Delta do Nilo a cerca de 100 quilômetros ao norte do Cairo, ocorreu no interior da Igreja de São Jorge durante uma cerimônia, matando pelo menos 27 pessoas e ferindo outras 78, segundo o Ministério da Saúde.

O segundo atentado, perpetrado algumas horas depois por um terrorista suicida em Alexandria, atingiu a Catedral de São Marcos, sede histórica do papado copta, matando 17 pessoas, entre as quais 3 policiais, e ferindo 58, segundo o ministério.

O papa copta Tawadros II estava conduzindo uma missa na Catedral de São Marcos no momento da explosão, mas não ficou ferido segundo o ministro do Interior. “Esses atos não abalarão a unidade e a coesão do povo”, afirmou ele, de acordo com informações da imprensa estatal.

O ataque é o mais recente da onda de violência contra uma minoria religiosa cada vez mais visada por militantes islâmicos e um desafio ao presidente egípcio, que prometeu protegê-la como parte de sua campanha contra o extremismo. 

Sissi ordenou que as Forças Armadas se mobilizem para auxiliar a polícia e os serviços de inteligência na proteção de pontos estratégicos das cidades egípcias, uma medida rara para o general que se tornou presidente e, quando comandante da defesa, chefiou a deposição pelos militares do presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, em 2013.

Tentando afastar críticas ocidentais de que havia suprimido a oposição política e perseguido ativistas de direitos humanos desde que foi eleito, em 2014, Sissi tenta se apresentar como um baluarte indispensável contra o terrorismo no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que evita utilizar suas tropas para segurança interna.

“O ataque só vai fortalecer a determinação (do povo egípcio) de avançar em sua trajetória para obter segurança, estabilidade e um desenvolvimento abrangente”, disse Sissi em uma declaração. O presidente egípcio também fez um discurso televisivo no qual pediu unidade nacional à população. Sissi ainda criticou a imprensa pela maneira como foi feita a cobertura dos ataques. 

Reações. O presidente americano, Donald Trump – que recebeu Sissi na semana passada em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos –, manifestou seu apoio ao líder. Trump afirmou que pretende trabalhar ao lado do egípcio mais estreitamente no combate aos militantes islâmicos “Muito triste de saber do ataque terrorista no Egito. Os Estados Unidos condenam veementemente. Tenho grande confiança que o presidente Sissi cuidará de maneira apropriada da situação”, escreveu o mandatário americano em sua conta oficial no Twitter.

O grande imã Sheikh Ahmed el-Tayeb, principal líder muçulmano sunita no Egito, também condenou, em nota, os atentados “que tiraram a vida de pessoas inocentes”. 

Ameaças. Líderes católicos romanos e muçulmanos têm unido forças com a comunidade copta no país, desde o papado de Bento XVI, em resposta à violência praticada contra os cristãos egípcios. O esforço decorre desde o ataque a bomba, em 2011, a uma igreja em Alexandria que provocou a morte de pelo menos 23 pessoas. 

No domingo, centenas de pessoas se aglomeraram do lado de fora da igreja de Tanta, pouco depois da explosão, algumas chorando e vestindo roupas pretas em sinal de luto, enquanto, do lado de dentro, filas de assentos destroçados se amontoavam sobre os ladrilhos encharcados de sangue.

“Havia sangue por toda parte e partes de corpos espalhadas pelo chão”, disse uma mulher que estava no interior da igreja na hora do ataque.

“Houve uma grande explosão no saguão. Fogo e fumaça encheram o recinto e os ferimentos foram extremamente graves”, disse a testemunha Vivian Fareeg. / AP, NYT e REUTERS

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